12/JUL 2026
Jornalista responsável: Marcos Santos

MP denuncia jovem por omissão de socorro após abandono de amigo no Pico Paraná

Publicado em 16 de janeiro, 2026

MP denuncia jovem por omissão de socorro após abandono de amigo no Pico Paraná

Promotoria aponta dolo na conduta e afirma que mulher priorizou o próprio bem-estar mesmo diante da vulnerabilidade da vítima. (Foto: Reprodução)

O Ministério Público do Paraná (MP-PR) denunciou Thayane Smith pelo crime de omissão de socorro após ela ter abandonado o amigo Roberto Faria Thomaz durante uma trilha no Pico Paraná. Na denúncia, divulgada nesta quinta-feira (15), o órgão sustenta que a conduta da jovem foi dolosa e que ela deixou o companheiro “à própria sorte”, mesmo ciente dos riscos envolvidos.

De acordo com a Promotoria, Thayane percebeu que Roberto estava em situação de vulnerabilidade, mas optou por seguir sozinha. O MP afirma ainda que a jovem tinha pleno conhecimento da periculosidade do local e, mesmo após alertas de outros montanhistas, decidiu não auxiliar nem colaborar com as buscas, demonstrando preocupação exclusiva com o próprio bem-estar físico.

A denúncia ressalta que Roberto apresentava sinais claros de debilidade durante o percurso. Ele teria passado mal em diversas ocasiões e enfrentava dificuldades para caminhar ao longo da trilha. A combinação do estado físico da vítima com o terreno considerado de alto risco pesou na avaliação do Ministério Público.

Após o abandono, Roberto só conseguiu ser localizado no dia 5 de janeiro, quando chegou à base do Pico Paraná, em uma fazenda na região de Antonina Cacatu. Ele percorreu mais de 20 quilômetros a pé e apresentava escoriações e hematomas pelo corpo.

Além da responsabilização criminal, o MP pede a reparação por danos morais no valor equivalente a três salários mínimos, totalizando R$ 4.863. Também foi proposta uma prestação pecuniária de R$ 8.105, a ser destinada ao Corpo de Bombeiros de Campina Grande do Sul. Somadas, as indenizações chegam a aproximadamente R$ 13 mil.

Caso a denúncia seja aceita pela Justiça, Thayane também poderá ser condenada à prestação de serviços comunitários por três meses, com carga de cinco horas semanais. Segundo a Promotoria, as medidas se justificam pelo grande esforço mobilizado nas buscas, que envolveram forças oficiais, voluntários e agentes civis.

A denúncia ainda será analisada por um juiz, que decidirá se a aceita ou não. Caso seja acolhida, Thayane passará à condição de ré no processo, e somente ao final da ação penal haverá decisão sobre eventual condenação.

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