
Promotoria aponta dolo na conduta e afirma que mulher priorizou o próprio bem-estar mesmo diante da vulnerabilidade da vítima. (Foto: Reprodução)
O Ministério Público do Paraná (MP-PR) denunciou Thayane Smith pelo crime de omissão de socorro após ela ter abandonado o amigo Roberto Faria Thomaz durante uma trilha no Pico Paraná. Na denúncia, divulgada nesta quinta-feira (15), o órgão sustenta que a conduta da jovem foi dolosa e que ela deixou o companheiro “à própria sorte”, mesmo ciente dos riscos envolvidos.
De acordo com a Promotoria, Thayane percebeu que Roberto estava em situação de vulnerabilidade, mas optou por seguir sozinha. O MP afirma ainda que a jovem tinha pleno conhecimento da periculosidade do local e, mesmo após alertas de outros montanhistas, decidiu não auxiliar nem colaborar com as buscas, demonstrando preocupação exclusiva com o próprio bem-estar físico.
A denúncia ressalta que Roberto apresentava sinais claros de debilidade durante o percurso. Ele teria passado mal em diversas ocasiões e enfrentava dificuldades para caminhar ao longo da trilha. A combinação do estado físico da vítima com o terreno considerado de alto risco pesou na avaliação do Ministério Público.
Após o abandono, Roberto só conseguiu ser localizado no dia 5 de janeiro, quando chegou à base do Pico Paraná, em uma fazenda na região de Antonina Cacatu. Ele percorreu mais de 20 quilômetros a pé e apresentava escoriações e hematomas pelo corpo.
Além da responsabilização criminal, o MP pede a reparação por danos morais no valor equivalente a três salários mínimos, totalizando R$ 4.863. Também foi proposta uma prestação pecuniária de R$ 8.105, a ser destinada ao Corpo de Bombeiros de Campina Grande do Sul. Somadas, as indenizações chegam a aproximadamente R$ 13 mil.
Caso a denúncia seja aceita pela Justiça, Thayane também poderá ser condenada à prestação de serviços comunitários por três meses, com carga de cinco horas semanais. Segundo a Promotoria, as medidas se justificam pelo grande esforço mobilizado nas buscas, que envolveram forças oficiais, voluntários e agentes civis.
A denúncia ainda será analisada por um juiz, que decidirá se a aceita ou não. Caso seja acolhida, Thayane passará à condição de ré no processo, e somente ao final da ação penal haverá decisão sobre eventual condenação.
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