
Equipamento batizado de Jaci multiplica capacidade de processamento e fortalece alertas contra eventos climáticos extremos. (Foto: Divulgação)
Desde dezembro, o Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe) conta com um novo supercomputador que promete transformar a forma como são feitas as previsões do tempo e os estudos climáticos no Brasil. Instalado em Cachoeira Paulista, no interior de São Paulo, o equipamento — batizado de Jaci — oferece capacidade de processamento até seis vezes maior e armazenamento 24 vezes superior ao sistema anterior.
A nova estrutura permite que os modelos numéricos de previsão sejam atualizados quatro vezes ao dia, o dobro do que era realizado anteriormente. Segundo o Inpe, essa agilidade contribui diretamente para previsões mais precisas e para a emissão de alertas mais eficientes diante de eventos extremos associados às mudanças climáticas.
Com maior poder computacional, os meteorologistas conseguem trabalhar com modelos mais detalhados e simular um número maior de cenários, identificando tanto o mais provável quanto a possibilidade de ocorrências extremas. As análises utilizam dados coletados por estações meteorológicas, satélites, aeronaves, boias oceânicas e navios, reunindo informações como temperatura, umidade, pressão atmosférica e intensidade dos ventos.
Outro avanço está na resolução espacial das previsões. A nova grade permite análises em áreas de até 10 km por 10 km, podendo chegar a 3 km por 3 km em regiões específicas do território nacional. Isso possibilita identificar fenômenos locais, como tempestades intensas, ondas de calor em grandes cidades e variações climáticas influenciadas por serras e vales.
Adquirido por R$ 28 milhões, o supercomputador é a primeira etapa do projeto de renovação da infraestrutura de supercomputação do Inpe. A iniciativa prevê a instalação de outros três equipamentos até 2028, o que deve quadruplicar a capacidade atual do instituto. O plano também inclui melhorias na rede elétrica, no sistema de refrigeração e a implantação de uma usina fotovoltaica, tornando o centro de dados mais eficiente e sustentável.
Além da modernização tecnológica, o Inpe desenvolve um modelo brasileiro de previsão climática, voltado às características da América do Sul. A expectativa é que esse sistema esteja plenamente operacional até 2028, acompanhando a expansão da infraestrutura computacional e reduzindo a dependência de modelos estrangeiros.
O instituto mantém a política de dados abertos e compartilha suas informações com instituições brasileiras, além de atuar em cooperação com o Instituto Nacional de Meteorologia para ampliar a qualidade das previsões em todo o país.
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