
Fogos de artifício provocam acidentes no Brasil e no exterior
A prática da queima de fogos de artifício nos eventos festivos de fim de ano é comum em diversos países do mundo, entretanto, apesar de enriquecer o espetáculo das festividades, pode representar perigo àqueles que manuseiam os artefatos com descuido. O que deveria ser um momento de celebração e felicidade, pode virar uma tragédia.
Diversas cidades, no Brasil e no exterior, reportaram acidentes causados por fogos de artifícios ou outros itens de pirotecnia — utilizam fogo e substâncias combustíveis para criar efeitos de luz, som e fumaça, como a vela pirotécnica — que deixaram mortos e feridos nesta virada de ano.
Na madrugada de quinta-feira, fogos de artifício explodiram dentro de um carro em Rorainópolis, no sul de Roraima, após as festas de réveillon. O acidente foi causado quando um colaborador acionou por descuido o estopim de fogos que não haviam sido usados, segundo informou o Corpo de Bombeiros. Não houve feridos, mas o carro foi destruído.
Ainda na madrugada do primeiro dia de 2026, uma queima de fogos deixou três pessoas feridas em Angra dos Reis (RJ), no bairro Jacuecanga. Segundo a prefeitura da cidade, os fogos de artifício, que foram instalados por membros da comunidade, explodiram próximos ao chão e foram direcionados para o local onde aconteciam as festividades. A prefeitura informou que os feridos passaram por atendimento médico e, em seguida, receberam alta hospitalar.
Na Praia de Barra Grande, em Maragogi, a celebração de ano-novo foi tomada por pânico quando uma jangada carregada de foguetes e rojões virou no mar, direcionando as explosões horizontalmente contra o público que estava na areia. Segundo relatos, a agitação das ondas causou o naufrágio da embarcação, fazendo com que o estoque de fogos detonasse na horizontal. Apesar do risco iminente, não houve feridos.
Acidentes como esses não são exclusivos ao território brasileiro, países no continente europeu também relataram tragédias relacionadas ao uso de artefatos pirotécnicos.
Na Alemanha, que tem o uso de fogos de artifício privado proibido, exceto na Virada do Ano — entre 18h de 31 de dezembro e 6h de 1 de Janeiro —, acabam exagerando na comemoração e causam acidentes, incêndios e tumultos em diversas cidades. Centenas de pessoas foram presas e dois jovens de 18 anos morreram em acidente com fogos de artifícios caseiros.
Na Holanda, duas pessoas morreram em acidente envolvendo fogos de artifício: um homem de 38 anos, em Aalsmeer, perto de Amsterdã, e um garoto morador de Nijmegen, no leste do país, segundo informou a polícia holandesa. Foram presas 250 pessoas na véspera de ano-novo por porte de fogos. A polícia afirmou em comunicado que o impacto de fogos de artifício pesados e incêndios criminosos nesta época do ano em algumas áreas foi absolutamente devastador. A prática da queima de fogos foi proibida no país em 2025.
Na Suíça, a boate Le Constellation foi destruída por um incêndio na noite do réveillon: 40 pessoas morreram. A principal suspeita é que o incêndio tenha começado com o uso de velas pirotécnicas, que encostaram na espuma que revestia o teto do bar, em uma circunstância semelhante à da maior tragédia brasileira, que matou 242 pessoas que comemoravam a formatura universitária na Boate Kiss, em Santa Maria.
A polícia local disse que era cedo para determinar o motivo exato que causou o acidente e que a investigação levará tempo.
O Corpos de Bombeiro Militar do Distrito Federal destacou alguns cuidados fundamentais no manuseio de itens pirotécnicos: adquirir apenas fogos de artifício certificados, com selo do Inmetro e procedência conhecida; ler atentamente e seguir todas as instruções do fabricante; não permitir que crianças ou adolescentes manuseiem fogos; nunca segurar o artefato com as mãos ou apoiá-lo em partes do corpo; utilizar os fogos em locais abertos, longe de pessoas, edificações, veículos, redes elétricas e materiais inflamáveis; não reutilizar fogos que falharem — a dica é aguardar alguns minutos antes de descartá-los com segurança; nunca apontar fogos na direção de pessoas ou animais; e evitar o consumo de bebidas alcoólicas durante o manuseio.