10/JUL 2026
Jornalista responsável: Marcos Santos

MIDR atendeu 5,7 milhões de pessoas afetadas por desastres em 2025

Publicado em 26 de dezembro, 2025

MIDR atendeu 5,7 milhões de pessoas afetadas por desastres em 2025

Em 2025, o Ministério da Integração e do Desenvolvimento Regional (MIDR) garantiu apoio à população afetada por desastres com agilidade na atuação e criação de produtos para melhorar a gestão de riscos no Brasil. No total, foram empenhados R$ 886 milhões para ações de socorro e assistência humanitária, restabelecimento e recuperação de áreas destruídas por eventos extremos. A nacionalização do Defesa Civil Alerta e o lançamento do Plano Nacional de Proteção e Defesa Civil (PNPDC) também marcaram o ano.

Com os recursos liberados para estados e municípios, a Defesa Civil Nacional atendeu pouco mais de 5,7 milhões de pessoas. “Trabalhamos diariamente para proteger a população, salvar vidas e minimizar as perdas e impactos causados pelos desastres. Após um evento extremo, nosso foco é o socorro imediato e a retomada da normalidade o mais rápido possível”, ressalta o secretário Nacional de Proteção e Defesa Civil, Wolnei Wolff.

Federal

Em 12 meses, o total de reconhecimentos federais de situação de emergência ou de estado de calamidade pública chegou a 3.001 processos, com o estado do Rio Grande do Sul (503) liderando o ranking, seguido de Minas Gerais (438) e Piauí (312). Estiagem, seca e chuvas intensas foram os eventos com maior incidência.

Em novembro, a passagem de um tornado pelo Paraná também marcou 2025. Para apoiar o estado nas ações de resposta, a Secretaria Nacional de Proteção e Defesa Civil (Sedec) se mobilizou, enviando equipes do Centro Nacional de Gerenciamento de Riscos e Desastres (Cenad) e do Grupo de Apoio a Desastres (Gade). Os técnicos ajudaram as defesas civis municipais na elaboração dos planos de trabalho e, consequentemente, na liberação de recursos. Na ocasião, o ministro da Integração e do Desenvolvimento Regional, Waldez Góes, acompanhado do secretário Wolnei Wolff, visitou Rio Bonito do Iguaçu, cidade devastada pelo fenômeno, e sobrevoou as áreas mais atingidas para avaliar danos e prestar total apoio às vítimas.

Defesa Civil Alerta

Os mecanismos de envio de alertas para a população intensificaram a gestão de riscos em todo o território nacional neste ano, com destaque para a nacionalização do Defesa Civil Alerta, sistema com tecnologia de ponta para informar sobre uma emergência climática. Desde dezembro de 2024 até o momento, o Defesa Civil Alerta foi emitido 722 vezes, sendo 605 alertas severos, 83 extremos e 34 de demonstração. As ocorrências de chuvas intensas (273 alertas) e tempestades com chuvas intensas (180) foram as mais frequentes.

A tecnologia intensifica a segurança das pessoas enviando mensagens de texto e avisos sonoros para os celulares em áreas de muito risco, sem necessidade de cadastro prévio. Os alertas aparecem de forma destacada na tela e podem tocar mesmo nos aparelhos em modo silencioso. Qualquer cidadão, independentemente do DDD, que esteja no município com previsão de desastre, poderá receber. A ferramenta é gratuita e alcança celulares compatíveis (Android e iOS lançados a partir de 2020) e com cobertura de telefonia móvel com tecnologia 4G ou 5G. O recurso não depende de pacote de dados e funciona mesmo se o usuário estiver ou não conectado ao Wi-Fi.

Criado pela Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel) em parceria com o Ministério das Comunicações (MCom), o Defesa Civil Alerta busca informar a população sobre o risco iminente de desastre e orientar sobre as medidas de proteção a serem tomadas. Os alertas possuem informações sobre o tipo de risco que está prestes a ocorrer e instruções práticas.

Tipos de alerta: extremo e severo

A Defesa Civil Nacional emite dois tipos de alerta, o severo e o extremo. O alerta severo indica a necessidade de ações preventivas, como em casos de chuvas fortes com risco de deslizamentos ou alagamentos, por exemplo, e o celular emite um som de “beep”, sem interromper o modo silencioso. A tela ficará bloqueada até que o usuário decida fechá-la. Para receber o alerta severo, é preciso acessar as configurações do celular. No caso do sistema operacional Android, basta clicar em “configurações”, “segurança e emergência”, e “alerta de emergência sem fio”. No caso do sistema iOS, é preciso acessar as “notificações” e “habilitar as opções de alerta”.

O alerta extremo é um nível mais alto, com urgência imediata, e serve para situações de risco grave para a vida e a propriedade. Nesses casos, o celular vai emitir um sinal sonoro, se mantendo ativo mesmo com o aparelho em modo silencioso. A tela ficará congelada e só poderá ser liberada pelo usuário ao fechar a notificação. Para isso, os celulares possuem a configuração ativada, sendo impossível desativá-la.

Histórico de implementação

O projeto-piloto do Defesa Civil Alerta começou em 10 de agosto de 2024, com os primeiros alertas enviados para 11 municípios do Sul e Sudeste. No dia 4 de dezembro, o sistema entrou em operação em todos os estados das duas regiões . Em seguida, a expansão para o Nordeste começou com capacitações a partir de 31 de março de 2025 e um teste em 14 de junho . A implementação oficial na região teve início em 18 de junho.

No Norte e Centro-Oeste, os treinamentos começaram em junho deste ano. No dia 20 de setembro, a tecnologia foi implementada no Norte e, em 1º de outubro, no Centro-Oeste, após envio de alertas de demonstração no dia 27 de setembro, consolidando a operacionalização da ferramenta em todo o Brasil.

Defesa Civil

O secretário Wolnei Wolff destaca a qualidade do trabalho realizado. “A equipe técnica da Defesa Civil Nacional percorreu os estados, com treinamentos presenciais e capacitações, garantindo que os protocolos estivessem em conformidade com as diretrizes do sistema”, afirma.

O objetivo do Defesa Civil Alerta é proporcionar maior segurança, sendo complementar aos demais mecanismos de alertas de emergência: SMS, TV por Assinatura, Whatsapp, Telegram e Google Public Alerts. Neste ano, foram enviadas 19.079 mensagens por SMS e 638 por TV por Assinatura.

Plano Nacional de Proteção e Defesa Civil

Lançado em novembro deste ano, na 30ª Conferência das Nações Unidas sobre Mudanças Climáticas (COP30), em Belém, no Pará, o Plano Nacional de Proteção e Defesa Civil é o principal instrumento de gestão de riscos de desastres no Brasil. O documento estabelece diretrizes, estratégias e ações coordenadas entre União, estados, Distrito Federal e municípios para promover a redução de riscos e a gestão de desastres em nível nacional. O objetivo é proteger a vida e reduzir danos e perdas materiais, além de impulsionar a resiliência das comunidades diante de desastres naturais ou tecnológicos, provocados pela ação humana. Clique aqui para conferir o plano na íntegra.

A ferramenta é estruturada em torno de cinco eixos de atuação para aumentar a resiliência do País:

Prevenção : Evitar a ocorrência de novos riscos e desastres. Inclui planejamento, ordenamento territorial e identificação/monitoramento de riscos.

Mitigação : Reduzir ou limitar os impactos e a gravidade dos desastres. Envolve obras de infraestrutura resistente e políticas ambientais e de engenharia.

Preparação : Desenvolver capacidades para gerir emergências de forma eficiente. Abrange capacitação, sistemas de alerta antecipado e elaboração de Planos de Contingência.

Resposta : Realizar ações imediatas durante ou após o desastre. Foca em socorro, resgate, assistência às vítimas (abrigamento, suprimentos) e restabelecimento de serviços essenciais.

Recuperação : Restaurar o cenário e impulsionar o desenvolvimento pós-desastre. Inclui a reconstrução de infraestrutura e habitações, aplicando o princípio de “reconstruir melhor” para evitar vulnerabilidades futuras.

Plano

A elaboração do plano envolveu a participação de diversas instituições federais e estaduais, órgãos municipais de defesa civil, setor privado e sociedade civil. “Esperamos que o plano reflita as necessidades e realidades locais. Foi tudo feito de forma colaborativa, incorporando contribuições de todos os envolvidos, o que tornou o documento mais robusto e alinhado com a realidade brasileira”, afirma Wolnei.

Para o secretário, o plano é um marco na gestão de riscos de desastres no Brasil. “O plano é uma ferramenta estratégica e essencial para a coordenação das ações de proteção e defesa civil em todo o País, a partir de diretrizes claras que permitem uma atuação mais eficiente e integrada entre os diferentes níveis de governo e setores da sociedade. É um guia para órgãos federais, orientando a elaboração de programas, projetos e iniciativas alinhadas às prioridades nacionais e internacionais de resiliência e sustentabilidade”, ressalta.

Detritos

O projeto de construção de barreiras de retenção de detritos em Nova Friburgo e Teresópolis, no Rio de Janeiro, teve grande avanço em 2025 com a entrega, em dezembro, do Manual de Mapeamento Simplificado e a apresentação dos capítulos do Manual Sabo no 3º Seminário do Projeto Sabo . As estruturas, desenvolvidas em parceria com o Japão, buscam reduzir danos em caso de desastres.

“Ao entregarmos o material, consolidamos quase cinco anos de trabalho conjunto entre Brasil e Japão, adaptando uma tecnologia de excelência mundial à realidade brasileira. Foi um passo decisivo para que essa metodologia se difunda pelo País, aumentando nossa capacidade de prevenir desastres e proteger comunidades. É um legado duradouro para a segurança da nossa população e para o fortalecimento da gestão de riscos no Brasil”, afirma Wolnei.

Projeto

O Projeto Sabo – Projeto de Aprimoramento da Capacidade Técnica em Medidas Estruturais contra Movimentos Gravitacionais de Massa com Foco na Construção de Cidades Resilientes – começou em julho de 2021 com o objetivo de salvar vidas, proteger o patrimônio e diminuir o poder destrutivo dos eventos adversos. A conclusão está prevista para junho de 2026.

“Os desastres continuarão ocorrendo e com intensidade cada vez maior. Em 2011, na Região Serrana do Rio de Janeiro, morreram quase mil pessoas e centenas seguem desaparecidas, foi uma catástrofe. Isso ocorreu devido ao fluxo de detritos, situação observada após a ocorrência de chuvas intensas, quando descem do morro sedimentos, blocos, tudo o que a água consegue arrastar, devastando a região. O Japão é um país com muita experiência nesse fenômeno, por isso fomos buscar essa parceria e, consequentemente, conhecimento e tecnologia”, acrescenta o secretário.

Nova Friburgo receberá uma barreira do tipo impermeável, instalada próximo ao Hospital São Lucas, no bairro Duas Pedras, com execução prevista para 22 meses. Já o município de Teresópolis receberá uma barreira permeável.

Barreiras permeável e impermeável

A barreira Sabo é uma estrutura resistente que retém o movimento gravitacional de massa, chamado de fluxo de detritos. As barreiras permeáveis possuem estruturas metálicas embutidas para reter o material mais grosseiro, como grandes blocos e fragmentos rochosos. Elas também permitem o fluxo natural do escoamento do leito dos rios, o que reduz o impacto ambiental. Já as impermeáveis conseguem conter os sedimentos com granulometria mais fina, como areia e argila, por exemplo.

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