
DNIT afirma que ponte do Curuçá na BR-319 é segura
O Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (DNIT) no Amazonas afirmou que a ponte sobre o rio Curuçá, na BR-319, rodovia que liga Manaus a Porto Velho, está totalmente segura e liberada para o tráfego, e que as intervenções atualmente em execução no local não representam qualquer risco à estrutura. A afirmação foi feita em declaração exclusiva ao portal pelo superintendente regional do DNIT, Orlando Fanali.
Segundo Fanali, o serviço em andamento trata-se de uma obra complementar de reforço estrutural, executada por meio da técnica conhecida como Jet Grouting, aplicada nas cabeceiras da ponte. Ele destacou que o trabalho segue recomendação técnica do Instituto de Pesquisas Tecnológicas (IPT) e tem como objetivo aumentar ainda mais a estabilidade e a segurança do conjunto estrutural.
De acordo com Orlando Fanali, a obra de contenção com Jet Grouting pode ser concluída antes, enquanto a entrega definitiva da ponte sobre o rio Autaz-Mirim — que também integra a BR-319 e recebe o mesmo tipo de reforço — está prevista para ocorrer até março do próximo ano. Ele ressaltou que os cronogramas são independentes e que a liberação ao tráfego só ocorre após a garantia plena de segurança.
O Jet Grouting é uma técnica de engenharia geotécnica utilizada para melhorar e reforçar o solo em áreas onde há necessidade de maior estabilidade estrutural. O método consiste na injeção, em alta pressão, de uma calda de cimento no solo por meio de hastes perfuradas. Esse jato de alta energia mistura o cimento com o solo local, formando colunas de solo-cimento de alta resistência.
Essas colunas funcionam como elementos de contenção e reforço, reduzindo riscos de erosão, recalques e deslocamentos do terreno, especialmente em regiões com solos instáveis ou sujeitos a variações hidrológicas, como ocorre na Amazônia. No caso das pontes da BR-319, o Jet Grouting está sendo aplicado nas cabeceiras para aumentar a capacidade de suporte e a durabilidade das estruturas, sem interferir na operação normal da via.

O presidente da Associação Brasileira de Engenheiros Civis do Amazonas (Abenc-AM), Afonso Lins, realizou vistoria no local e tem manifestado que a necessidade de reforços estruturais indicaria um erro primário de projeto, por não considerar plenamente as peculiaridades geotécnicas da região. Afonso Lins é ex-superintendente do DNIT e ex-presidente do CREA-AM.
À época do desabamento das pontes, em 2023, Afonso Lins ocupava a presidência do CREA-AM, período em que não houve manifestação preventiva do conselho sobre riscos estruturais nas pontes da rodovia.
As pontes sobre os rios Curuçá e Autaz-Mirim desabaram em 2023, com um intervalo aproximado de dez dias entre os dois acidentes, interrompendo o tráfego na BR-319 e ampliando o debate técnico sobre a infraestrutura rodoviária na Amazônia.
Desde então, o DNIT vem executando a reconstrução das estruturas, incorporando ajustes técnicos e obras complementares recomendadas por estudos especializados.
O DNIT reforça que a ponte do rio Curuçá não apresenta risco estrutural, permanece aberta ao tráfego e que as obras em curso têm caráter preventivo e de reforço, voltadas a ampliar a segurança dos usuários da BR-319. A autarquia afirma que todas as intervenções seguem critérios técnicos rigorosos e que a prioridade absoluta é a preservação de vidas e a estabilidade da rodovia.
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