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O cenário da sucessão estadual no Amazonas entrou, nesta semana, em uma nova fase. Em entrevista à BandNews FM, o prefeito de Manaus anunciou de forma explícita o recuo do apoio que vinha sendo dado à candidatura do senador Omar Aziz ao governo do estado e resumiu a nova conjuntura política com uma frase direta: “o jogo está aberto”.
Embora os sinais de distanciamento já viessem sendo percebidos nos bastidores há algumas semanas, a declaração pública representa um marco político. Pela primeira vez, o prefeito rompe de maneira clara com o acordo que sustentava o apoio ao senador e assume, na prática, a abertura de um novo cenário para a disputa de 2026.
A decisão está diretamente ligada a uma equação política que envolve renúncias estratégicas e rearranjos de poder. Para transformar uma eventual candidatura ao governo em fato consumado, o prefeito depende da renúncia do governador Wilson Lima dentro do prazo legal. Caso isso ocorra, o atual vice-governador Tadeu de Souza assumiria o comando do Executivo estadual, enquanto o prefeito deixaria o cargo, abrindo espaço para que o vice-prefeito Renato Júnior assumisse a Prefeitura de Manaus.
Os três — prefeito, vice-governador e vice-prefeito — têm uma trajetória comum que remonta à infância no Morro da Liberdade, zona sul da capital. Essa relação pessoal e política é vista por aliados como um elemento central na articulação que permitiria ao prefeito disputar o governo com o apoio simultâneo das máquinas estadual e municipal, cenário descrito por interlocutores como o “cavalo branco selado” que todo político aguarda ao longo da carreira.
Do outro lado, o senador Omar Aziz mantém uma base robusta de apoio político. Conta com o respaldo do presidente Lula e tem influência direta em áreas estratégicas da administração municipal. Grande parte das ações da Prefeitura de Manaus, especialmente na área habitacional, depende de recursos federais, incluindo cerca de R$ 2 bilhões em emendas articuladas pelo senador Eduardo Braga. Além disso, Omar Aziz também destina emendas à prefeitura e possui um aliado direto na estrutura do município, com o deputado federal Saulo Vianna à frente da Secretaria Municipal de Assistência Social e Cidadania.
Esse entrelaçamento torna o rompimento do acordo ainda mais significativo. A retirada do apoio não é apenas um gesto eleitoral, mas um movimento que redefine alianças e altera o equilíbrio de forças na política amazonense, com impactos diretos nas relações entre prefeitura, governo federal e Congresso Nacional.
O prazo decisivo para a consolidação desse cenário está marcado para a virada de março para abril do próximo ano. Até a meia-noite do último dia permitido pela legislação eleitoral, tanto o governador quanto o prefeito precisam apresentar cartas de renúncia, que são atos irrevogáveis. A expectativa nos bastidores é de que ambos aguardem até o último instante para formalizar a decisão, inclusive com a possibilidade de documentos previamente protocolados e condicionados ao horário-limite.
Do ponto de vista do eleitor, no entanto, o cenário começa a se tornar mais nítido. Superadas as indefinições, a nuvem de fumaça e os movimentos táticos que marcaram os últimos meses, a política amazonense passa a desenhar uma disputa direta. A síntese que emerge é clara: dois nomes se colocam como adversários centrais na corrida pelo governo do Amazonas na sucessão de Wilson Lima, inaugurando, desde já, uma das eleições mais aguardadas e polarizadas da história recente do estado.
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