10/JUN 2026
Jornalista responsável: Marcos Santos

STF retoma análise do marco temporal em plenário virtual

Publicado em 15 de dezembro, 2025

STF retoma análise do marco temporal em plenário virtual

Os votos poderão ser inseridos no sistema eletrônico do tribunal entre 11h desta segunda-feira e 23h59 da próxima quinta-feira (Foto: Marcello Casal Jr/Agência Brasil)

O Supremo Tribunal Federal (STF) volta a analisar, a partir desta segunda-feira (15), ações que questionam a Lei do Marco Temporal para demarcação de terras indígenas. O julgamento ocorre em plenário virtual, modalidade em que não há debate oral entre os ministros.

Os votos poderão ser inseridos no sistema eletrônico do tribunal entre 11h desta segunda-feira e 23h59 da próxima quinta-feira (18). A convocação da sessão extraordinária foi feita após solicitação do ministro Gilmar Mendes, relator dos processos que tratam do tema.

Caso não haja pedido de vista, que suspende a análise, ou de destaque, que leva o caso ao plenário físico, a expectativa é de que o julgamento seja concluído antes do início do recesso do Judiciário.

Na semana anterior, o STF realizou duas sessões presenciais destinadas à apresentação das sustentações orais de representantes das partes envolvidas e de interessados no processo. Durante as audiências, foram expostos argumentos tanto favoráveis quanto contrários à validade constitucional da legislação.

A discussão sobre o marco temporal ocorre em um contexto de embate institucional entre os Três Poderes. Em 2023, o próprio Supremo declarou a tese do marco temporal inconstitucional. Em reação, o Congresso Nacional aprovou um projeto de lei restabelecendo o critério, posteriormente sancionado de forma parcial pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT).

Os vetos presidenciais foram derrubados pelo Legislativo, permitindo a promulgação da norma. Diante disso, o tema retornou ao STF, que instalou uma comissão de conciliação com o objetivo de buscar um texto consensual. Ao longo do processo, foram realizadas 23 audiências com participação de representantes indígenas, do setor ruralista e de órgãos públicos.

Nesta etapa, os ministros analisam tanto a constitucionalidade da lei aprovada em 2023 quanto os efeitos do processo de mediação conduzido pela Corte.

O julgamento ocorre paralelamente a um novo episódio de tensão entre o Supremo e o Congresso Nacional. Na última terça-feira (9), o Senado aprovou, por 52 votos a 15, uma proposta de emenda à Constituição que fixa o marco temporal na data da promulgação da Constituição Federal, em 5 de outubro de 1988. A proposta ainda será apreciada pela Câmara dos Deputados.

A votação foi pautada pelo presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), após decisão do ministro Gilmar Mendes que limitava a possibilidade de pedidos de impeachment de ministros do STF à Procuradoria-Geral da República. No dia seguinte, o ministro voltou atrás na decisão.

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