
Em Caracas, o presidente Nicolás Maduro repudiou a ação e afirmou que denunciará o caso a organismos multilaterais (Foto: Divulgação/Donald Trump)
As Forças Armadas dos Estados Unidos interceptaram e detiveram um navio petroleiro nas proximidades da Venezuela nesta quarta-feira (10), episódio confirmado pelo presidente Donald Trump e que elevou ainda mais a pressão diplomática entre Washington e Caracas. A operação, classificada pelo governo venezuelano como “roubo descarado”, ocorreu em meio ao maior reforço militar norte-americano no Caribe em anos.
Trump mencionou a ação durante um encontro com empresários na Casa Branca, afirmando apenas que a apreensão ocorreu “por uma boa razão”. Nem o governo norte-americano nem autoridades venezuelanas detalharam o nome da embarcação, sua bandeira ou o ponto exato da interceptação até o fechamento deste texto.
A Procuradora-Geral dos EUA, Pam Bondi, divulgou posteriormente imagens da operação e declarou que o navio transportava petróleo venezuelano e iraniano sujeito a sanções impostas por Washington. Segundo ela, a embarcação estaria envolvida “há vários anos” em uma rede internacional acusada de apoiar organizações consideradas terroristas pelo governo norte-americano. Fontes da CBS News identificaram o petroleiro como “The Skipper”, incluído em listas de sanções desde 2022.
Em Caracas, o presidente Nicolás Maduro repudiou a ação e afirmou que denunciará o caso a organismos multilaterais. Em comunicado oficial, o governo venezuelano declarou que defenderá “soberania, recursos naturais e dignidade nacional com absoluta determinação”.
Horas antes, durante ato público na capital, Maduro mencionou a escalada de tensões com os Estados Unidos, acusando Washington de manter uma política intervencionista na região. Sem mencionar diretamente a apreensão, o líder chavista pediu o fim das “políticas de mudança de regime, golpes de Estado e invasões”, citando intervenções militares norte-americanas em outras partes do mundo.
A operação naval ocorre enquanto os Estados Unidos deslocam um amplo contingente para o Caribe, incluindo um porta-aviões, aeronaves de combate e milhares de militares. O governo Trump afirma que o movimento integra ações de combate ao narcotráfico; já Caracas sustenta que a verdadeira intenção seria enfraquecer e, eventualmente, derrubar o governo Maduro.
Fontes citadas pela imprensa norte-americana afirmam que novas ações semelhantes podem ocorrer nas próximas semanas, ampliando o risco de um confronto direto entre os dois países.