14/JUL 2026
Jornalista responsável: Marcos Santos

Caso Benício: Polícia investiga falhas apontadas no atendimento e avalia responsabilidade do hospital

Publicado em 08 de dezembro, 2025

Caso Benício: Polícia investiga falhas apontadas no atendimento e avalia responsabilidade do hospital

Benício morreu em 23 de novembro após receber adrenalina por via endovenosa — aplicação considerada um erro grave e incompatível com os protocolos de segurança do paciente (Foto: Divulgação)

A Polícia Civil do Amazonas (PC-AM) deve colher, ainda nesta semana, depoimentos de integrantes da administração do Hospital Santa Júlia, em Manaus, como parte das investigações sobre a morte de Benício Xavier de Freitas, de 6 anos. A informação foi confirmada pelo delegado Marcelo Martins, responsável pelo inquérito, em entrevista à CNN Brasil.

Benício morreu em 23 de novembro após receber adrenalina por via endovenosa — aplicação considerada um erro grave e incompatível com os protocolos de segurança do paciente. As apurações apontam que a falha ocorreu dentro de um conjunto de problemas sistêmicos no funcionamento da unidade de saúde.

Segundo o delegado, as novas oitivas têm o objetivo de esclarecer eventuais responsabilidades criminais da administração, especialmente pela ausência de um farmacêutico habilitado no momento em que a medicação foi separada e checada. O procedimento, conhecido como “dupla checagem”, é uma etapa obrigatória para evitar erros de administração de medicamentos.

Martins afirma que, além da médica responsável pela prescrição da dose, houve falhas envolvendo a técnica de enfermagem e a própria gestão da unidade hospitalar, que teria descumprido normas essenciais de segurança. Documentos e depoimentos já colhidos pela polícia reforçam que houve erro médico durante o atendimento.

Contradições sob análise

A médica Juliana Brasil Santos, 33, está entre os principais alvos da investigação. Em mensagens de WhatsApp e em um prontuário hospitalar, ela teria admitido ter prescrito adrenalina pela via errada. No entanto, em outra ocasião, chegou a atribuir a responsabilidade à mãe da criança.

Posteriormente, sua defesa apresentou uma nova versão, alegando que o sistema do hospital poderia ter alterado automaticamente a via de administração do medicamento — um argumento que contraria as demais provas reunidas até agora.

Para esclarecer a afirmação, a Polícia Civil realizará uma perícia completa no sistema do Hospital Santa Júlia. De acordo com Marcelo Martins, uma análise preliminar já indica que a hipótese de falha no sistema informatizado é improvável.

A PC-AM chegou a pedir a prisão da médica, mas a Justiça negou o pedido e concedeu habeas corpus preventivo. O inquérito segue em andamento para determinar todas as responsabilidades relacionadas ao caso.

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