10/JUN 2026
Jornalista responsável: Marcos Santos

EUA ampliam bloqueio migratório e congelam processos após ataque em Washington

Publicado em 03 de dezembro, 2025

Começam deportações em massa de imigrantes ilegais nos Estados Unidos

Tiroteio envolvendo cidadão afegão desencadeia suspensão de pedidos de imigração de 19 países considerados de “alto risco”. (Foto: Divulgação/Casas Branca)

O governo dos Estados Unidos anunciou a suspensão imediata de todos os pedidos de imigração apresentados por cidadãos de 19 países classificados como de alto risco, em meio ao endurecimento da política migratória após o tiroteio ocorrido em 26 de novembro, em Washington, que resultou na morte de uma militar da Guarda Nacional. A decisão foi comunicada pelo Departamento de Segurança Interna (DHS).

De acordo com um memorando obtido pela agência France-Presse (AFP), a interrupção atinge tanto solicitações de green card quanto pedidos de naturalização. A medida expande as restrições impostas desde junho, quando o presidente Donald Trump havia proibido a entrada de cidadãos de 12 nações, incluindo Afeganistão, Mianmar, Chade, República do Congo, Eritreia, Haiti, Irã e Iêmen.

Agora, outros sete países passam a compor a lista: Burundi, Cuba, Laos, Serra Leoa, Togo, Turquemenistão e Venezuela. A relação reúne algumas das regiões mais instáveis e pobres do mundo.

A secretária de Segurança Interna, Kristi Noem, reforçou a postura do governo em publicação na rede X, na noite de segunda-feira. Em tom agressivo, afirmou ter recomendado a Trump “a proibição total” da entrada de cidadãos dos países classificados por ela como responsáveis por “inundar a nação com assassinos, sanguessugas e viciados em assistência social”. “Não os queremos, nem um único deles”, escreveu.

Na terça-feira, Trump voltou a atacar publicamente migrantes da Somália, afirmando que “não são bem-vindos” nos Estados Unidos. Paralelamente, o governo mantém congeladas todas as decisões relacionadas à concessão de asilo desde o ataque em Washington — atribuído a um cidadão afegão e que também deixou um segundo militar gravemente ferido.

O presidente transformou o combate à imigração irregular em marca central de sua gestão, utilizando termos como “invasão” e vinculando migrantes estrangeiros a criminalidade. No entanto, os planos de expulsão em massa promovidos pela Casa Branca têm encontrado barreiras no Judiciário, que tem determinado que estrangeiros afetados pelas medidas tenham garantido o direito de se defender.

O ambiente de tensão também cresce dentro das estruturas de Justiça. Nesta semana, a Associação Nacional de Juízes de Imigração (Naij) informou que oito magistrados de Nova York foram demitidos pelo Departamento de Justiça. Eles atuavam no edifício da Federal Plaza, em Manhattan, responsável por analisar processos de regularização de migrantes.

Nos últimos meses, a presença constante de agentes federais nos corredores do prédio e as detenções de migrantes logo após as audiências geraram cenas de confronto e separação de famílias — transformando o local em símbolo da guinada mais dura do governo Trump contra estrangeiros em situação irregular.

A suspensão dos pedidos de imigração aprofunda ainda mais o clima de incerteza para milhares de pessoas que buscavam refúgio ou reunificação familiar nos Estados Unidos, enquanto cresce a pressão internacional por explicações e proporcionalidade nas respostas adotadas após o ataque.

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