
Ministro afirma que ex-presidente agiu de forma consciente ao usar ferro de solda. (Foto: Reprodução)
O ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), afirmou nesta segunda-feira (24) que Jair Bolsonaro violou a tornozeleira eletrônica de maneira “dolosa e consciente”. A avaliação consta no voto do magistrado no julgamento que analisa a manutenção da prisão preventiva do ex-presidente.
No entendimento de Moraes, Bolsonaro tem histórico de descumprimento de medidas cautelares e ampliou essas violações na última sexta-feira (21), quando tentou abrir o dispositivo utilizando um ferro de solda. A conclusão contraria a argumentação apresentada pela defesa, que atribuiu o episódio a uma “confusão mental” provocada pela interação inadequada entre medicamentos.
Segundo os advogados, um remédio recém-prescrito por uma médica que não integra a equipe principal teria reagido com outros já utilizados para tratar crises de soluço, levando a um quadro de alucinações, desorientação e alterações cognitivas — informações descritas em boletim médico entregue ao STF.
Na audiência de custódia, Bolsonaro afirmou ter acreditado que a tornozeleira continha uma “escuta” e disse que tentou apenas abrir a tampa do equipamento, e não removê-lo. A defesa ainda sustenta que o vídeo enviado pela Seape mostra o ex-presidente com fala arrastada e comportamento “ilógico”, sem relação com tentativa de fuga.
Enquanto isso, a Primeira Turma do STF iniciou a análise da decisão de Moraes. Até o momento, somente o ministro Flávio Dino acompanhou o relator, deixando o placar em 2 a 0 pela manutenção da prisão preventiva. A votação continua ao longo do dia.
Veja mais notícias em Política