29/JUN 2026
Jornalista responsável: Marcos Santos

Com avanços para o Cinturão Verde, Defensoria do Amazonas encerra participação na COP30

Publicado em 24 de novembro, 2025

Foto: Divulgação

Após onze dias de debates, articulações institucionais e apresentação de projetos, a Defensoria Pública do Estado do Amazonas (DPE-AM) encerrou sua participação na 30ª Conferência das Nações Unidas sobre Mudanças Climáticas (COP30) celebrando conquistas para o fortalecimento da justiça climática e da proteção socioambiental no estado.

O projeto Cinturão Verde de Manaus, carro-chefe da instituição no evento, foi reconhecido por universidades, órgãos ambientais e instituições financiadoras nacionais e internacionais como uma iniciativa inovadora para enfrentar a expansão urbana desordenada, proteger áreas de floresta e garantir direitos a comunidades tradicionais e agricultores familiares.

Durante o evento, a DPE-AM recebeu representantes da Secretaria de Estado de Cidades e Territórios (Sect), do Instituto de Proteção Ambiental do Amazonas (Ipaam), além de consultores e equipes técnicas do BNDES, BID e Basa, que demonstraram interesse direto na futura viabilização financeira do projeto.

Consolidação de parcerias

Para o defensor público geral do Amazonas, Rafael Barbosa, a participação na COP30 marca um novo ciclo para a Defensoria na pauta climática.

“A Defensoria está muito feliz: os nossos resultados foram alcançados. Recebemos visitas dignas de registro — a Sect, o Ipaam, bancos que podem financiar projetos no Amazonas como BNDES, BID e Basa — e assinamos com a Sema um protocolo de intenções para o Cinturão Verde. Nossa participação só foi possível graças à UEA, que inclusive anunciou uma bolsa voltada ao Cinturão Verde. Foi um período de muito aprendizado e de consolidação de parcerias que engrandecem o estado e ajudam nossa população.”

Barbosa também celebrou a atuação do Núcleo de Proteção aos Povos Indígenas e Comunidades Tradicionais (Nudcit), que apresentou casos e avançou na construção do Protocolo de Atendimento aos Povos Indígenas — material que poderá guiar defensorias de todo o Brasil.

Cinturão Verde

Um dos idealizadores do Cinturão Verde, o defensor público Carlos Almeida, destacou que a COP30 encerra um ciclo e abre outro ainda maior. “Depois de duas semanas aqui, saímos com um paneiro cheio de trabalho para o Amazonas. Também reforçamos nossa conexão com o Nudcit na Comissão da Verdade, estreitamos ações com a UEA por meio do Proqas e fomos procurados por agentes financiadores como BNDES, Basa, BID e Banco Mundial. 2026 será um ano de muito laboratório, muito campo e demonstração dos impactos do que estamos construindo.”

Produção científica

A professora Carla Ventura, coordenadora do Polo do Instituto de Estudos Avançados da USP Ribeirão Preto, ressaltou o caráter científico e inovador da iniciativa.

“A parceria entre o IEA e a Defensoria já tem mais de dois anos e culminou com a apresentação do Cinturão Verde na COP. Estamos trabalhando juntos para produzir evidências científicas que fortaleçam o desenvolvimento de uma política pública para o Cinturão Verde de Manaus. Foi um grande aprendizado e tenho certeza de que muitos frutos virão.”

Foto: Divulgação

Assinatura do Protocolo de Intenções

Um dos momentos mais simbólicos da participação do Amazonas na COP30 foi a assinatura, na Green Zone, do Protocolo de Intenções entre a Defensoria Pública e a Secretaria de Estado do Meio Ambiente (Sema) para viabilizar o Cinturão Verde.

Para Rafael Barbosa, o ato representa um marco institucional. “Estamos discutindo justiça climática, que está diretamente ligada à justiça social. A parceria com a Sema surge em um momento crucial para definir as áreas beneficiadas e acelerar a execução do projeto.”

O secretário Eduardo Taveira reforçou a importância da iniciativa e anunciou que o próximo passo será a definição das áreas-piloto e dos territórios prioritários para implementação.

Usina Hidrelétrica de Balbina

A DPE-AM também abriu espaço para escutar os moradores da região afetada pela Usina Hidrelétrica de Balbina. Em mesa realizada no estande das Defensorias, o Movimento dos Atingidos por Barragens (MAB) e pesquisadores da UFAM e USP discutiram os danos históricos ao rio Uatumã.

“A construção da hidrelétrica vem causando prejuízos econômicos, sociais e ambientais. Até hoje temos problema com falta de água potável. Falar disso aqui, na COP, foi um marco para nós. É a primeira vez que sentimos que estamos sendo ouvidos”, disse Caroline Monteiro, agricultora e representante do MAB.

A mesa integrou as atividades da Comissão da Verdade, grupo interinstitucional que também compõe uma das frentes do Cinturão Verde.

A Defensoria também foi convidada pela Defensoria Pública da União (DPU) para apresentar o projeto Cinturão Verde no estande da instituição, reforçando o reconhecimento nacional da iniciativa.

O diretor da Escola Nacional da DPU, Diego Silva, destacou a importância da colaboração. “A troca entre as Defensorias é essencial para fortalecermos projetos estruturantes como o Cinturão Verde. Para nós, foi uma honra receber a equipe do Amazonas e abrir esse espaço de diálogo que certamente vai gerar frutos para a proteção socioambiental no país.”

Protocolo de Atendimento a Povos Indígenas

No segundo bloco de agendas, o Nudcit apresentou casos emblemáticos, dialogou com lideranças indígenas e recebeu contribuições fundamentais para o Protocolo de Atendimento da Defensoria.

“Apresentamos casos exitosos da Defensoria e construímos coletivamente o Protocolo de Atendimento. Tivemos representantes do povo Yanomami, que trouxeram suas demandas e contribuíram diretamente com o documento. É um momento histórico”, ressaltou a coordenadora do núcleo, defensora pública Daniele Fernandes.

Carta Belém

Na última sexta-feira (22), o Conselho Nacional das Defensoras e Defensores Públicos-Gerais (Condege) encerrou sua participação na COP30 apresentando uma Carta de Intenções acerca da necessidade de lutar pela justiça climática em favor das pessoas em situação de vulnerabilidade.

O documento foi assinado por defensoras e defensores públicos gerais dos estados de Mato Grosso, Pará, Amazonas, São Paulo, Maranhão e Rio de Janeiro.

Na Carta Belém, as defensoras e defensores públicos signatários assumem o compromisso público e institucional de fortalecer a defesa dos direitos socioambientais e climáticos, reconhecendo que a proteção da vida em sentido amplo, dos grupos sociais vulneráveis, da natureza e das futuras gerações no atual cenário de emergência climática, constitui expressão essencial da missão constitucional da Defensoria Pública.

Tags: ,

Veja mais notícias em Geral

RELACIONADAS

Portal do Marcos Santos
Privacy Overview

This website uses cookies so that we can provide you with the best user experience possible. Cookie information is stored in your browser and performs functions such as recognising you when you return to our website and helping our team to understand which sections of the website you find most interesting and useful.