
Registro policial relaciona ex-vereador a dois artigos do Código Penal; caso ocorre em meio a tensão política sobre operação da atração (Foto: Divulgação)
Um Boletim de Ocorrência (BO) foi registrado no 19º Distrito Integrado de Polícia (DIP) relacionando o ex-vereador Amauri Gomes ao episódio de paralisação da roda-gigante instalada na Ponta Negra, ocorrido no sábado (22/11). O registro não configura indiciamento — ato que depende de investigação formal conduzida pela Polícia Civil —, mas descreve suspeitas que deverão ser avaliadas pela autoridade policial.
De acordo com o BO, Amauri é citado em razão de possível enquadramento nos artigos 132 e 340 do Código Penal. O Art. 132 trata de “perigo para a vida ou saúde de outrem”, aplicado quando há exposição concreta de terceiros a risco. Já o Art. 340 aborda “comunicação falsa de crime ou contravenção”, utilizado em situações em que autoridades são acionadas com informações consideradas inconsistentes ou distorcidas. O documento está sob análise do delegado Ivo Henrique Moreira Martins.
A roda-gigante, inaugurada há poucos dias como nova atração turística da Ponta Negra, travou na noite de sábado com visitantes no alto, provocando momentos de pânico até o resgate realizado pelo Corpo de Bombeiros. Pouco antes da pane, vídeos que circularam nas redes sociais mostraram Amauri Gomes abrindo uma caixa de energia em área restrita, enquanto transmitia denúncias sobre suposta “ligação clandestina” no local.
Minutos depois, o equipamento parou de funcionar. O episódio alimentou diferentes leituras sobre a sequência dos fatos: enquanto críticos atribuem a Amauri uma possível interferência indevida, ele afirma que apenas fiscalizava o espaço e que buscava comprovar irregularidades.
A versão apresentada pelo ex-vereador — de que a atração estaria utilizando energia de forma irregular — foi contestada por técnicos, permissionários e pela administração do complexo. Segundo informações do município, todo o abastecimento da área, incluindo quiosques e a roda-gigante, ocorre a partir da subestação oficial da Amazonas Energia, com pagamento efetuado pela Prefeitura. Permissionários pagam taxa de concessão ao município, que quita a fatura de energia.
O caso ocorre em meio à escalada de críticas da oposição ao prefeito David Almeida, que aparece entre os possíveis pré-candidatos ao Governo do Amazonas em 2026. A situação intensificou a disputa de narrativas sobre a operação da roda-gigante, que vinha sendo alvo de questionamentos desde sua instalação.
A Polícia Civil deve avaliar o conteúdo do BO, que pode ou não resultar na abertura de investigação formal, conforme análise técnica e eventuais elementos adicionais que venham a ser reunidos.

Foto: Divulgação
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