
Projeto conecta gestantes do interior a especialistas de Manaus e elimina fila para pré-natal de alto risco no estado (Foto: Divulgação)
O acompanhamento remoto de gestantes de alto risco tem transformado a assistência obstétrica no Amazonas e reduzido indicadores de mortalidade materna e neonatal. É o que mostra reportagem da Folha de S.Paulo, publicada em 10 de novembro de 2025, sobre o Telepnar — iniciativa da Universidade Federal do Amazonas (Ufam) em parceria com o Ministério da Saúde, que conecta profissionais de Manaus a equipes de saúde distribuídas pelo interior.
A matéria relata casos como o de Tatiane Pinheiro, moradora de Iranduba, que enfrentava sangramentos recorrentes e frequentes idas à maternidade antes de receber acompanhamento especializado pela plataforma. O sistema integra o prontuário eletrônico do SUS, permitindo que UBSs e Distritos Sanitários Especiais Indígenas incluam gestantes de risco e recebam orientações de especialistas da capital. Segundo profissionais ouvidos pela Folha, o retorno médico geralmente ocorre no mesmo dia, evitando deslocamentos longos e caros — especialmente em regiões ribeirinhas de difícil acesso.
Desde outubro de 2023, 2.418 gestantes foram atendidas pelo programa em 61 dos 62 municípios do estado, além dos sete Dsei. Destas, 1.304 ainda estão em acompanhamento. As condições que enquadram uma gestante como de alto risco incluem hipertensão gestacional, diabetes, obesidade grave, anemia severa, infecções urinárias de repetição, doenças infecciosas como hepatite e HIV, além de histórico de abortos recorrentes ou múltiplas cesarianas.
Profissionais de saúde relatam que o telemonitoramento eliminou a fila para o pré-natal de alto risco no Amazonas, garantindo que nenhuma gestante fique sem atendimento. A capacitação das equipes locais é outra frente importante: 3.041 médicos, enfermeiros e parteiras já foram treinados para identificar e acompanhar casos complexos em comunidades remotas.
Depoimentos de gestantes mostram que o apoio clínico e emocional fornecido à distância tem sido decisivo para o desfecho seguro das gestações. A reportagem também destaca que a estratégia reduz transferências desnecessárias para Manaus e fortalece o atendimento em regiões ribeirinhas e indígenas, historicamente desassistidas.
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