
Parintins leva serviços e cidadania ao Quilombo Santa Izabel
Em alusão ao mês da Consciência Negra, a Prefeitura de Parintins realizou mais uma ação de cidadania voltada às famílias do Quilombo Santa Izabel.
A iniciativa, conduzida pela Secretaria Municipal de Assistência Social, Trabalho e Habitação (Semasth) e pelo CRAS União, reforça o compromisso do município com a valorização e a proteção das comunidades quilombolas.
Remanescentes do Quilombo São Pedro do Rio Andirá, cerca de duzentas famílias vivem atualmente nos bairros Castanhal, União e Teixeirão. A identificação do grupo, que deu origem ao Quilombo Santa Izabel, foi feita pelo próprio CRAS União. “Quem descobriu o Quilombo Santa Izabel foi o CRAS União, pioneiro na descoberta de nossa família, através da Tia Izabel, usuária do CRAS. A partir desse momento a Prefeitura começou a dar assistência aos povos que necessitavam de apoio”, conta Leilane Belém, da coordenação do quilombo.
Para os moradores, o CRAS tornou-se porta de entrada para os serviços socioassistenciais, garantindo acesso a oficinas de empreendedorismo, palestras e programas federais. Entre as ações mais importantes está a inclusão no Cadastro Único, fundamental para identificar famílias de baixa renda. “Um dos mais importantes foi o acesso ao Bolsa Família. A maioria dos povos não tem estudo para conseguir um trabalho. Tudo que a gente precisa de assistência o CRAS União tem nos dado”, afirma Leilane.
A autodeclaração quilombola, requisito para identificação no Cadastro Único, também foi assegurada com apoio técnico. “O Cras União abre as portas para fazer o cadastro, onde vai ser trocada a nossa cor de parda para preta. E no site do governo federal vamos ser reconhecidos e declarados quilombolas. Dentro das escolas nossos filhos são mapeados para que sejam tratados com respeito e dignidade, porque o racismo e o preconceito são muito fortes”, ressalta. Ela recorda ainda as dificuldades da própria comunidade em assumir sua identidade étnica, hoje fortalecida entre as crianças.
Estudante do 7º período de Enfermagem, técnica em Administração, artesã e empreendedora, Leilane relata desafios enfrentados no ambiente acadêmico. “É difícil as pessoas entenderem o racismo ambiental, o racismo recreativo, que não deveria existir dentro das faculdades”, critica.
A luta pela certificação quilombola também foi destacada por Mauricéia Garcia de Freitas, acadêmica de Pedagogia, agente de saúde e artesã, que participou da 5ª Conferência Nacional de Promoção da Igualdade Racial (Conapir). Ela encaminhou documentação à Fundação Cultural Palmares para reconhecimento oficial do grupo — etapa essencial para garantir acesso a políticas públicas, programas sociais e o processo de titulação do território. “Apresentamos a documentação no período da Conferência. Esse é o primeiro passo para assegurar direitos e fortalecer nossa identidade”, afirma.
A ação reafirma o compromisso da Prefeitura de Parintins com a proteção, promoção e valorização das comunidades quilombolas, ampliando o acesso a direitos e fortalecendo a cidadania no Quilombo Santa Izabel.
SEO tags: #Parintins, #QuilomboSantaIzabel, #AssistenciaSocial, #CRAS, #DireitosHumanos, #IgualdadeRacial, #ConscienciaNegra
