25/JUN 2026
Jornalista responsável: Marcos Santos

Em formato de dança, ‘Cabaré Chinelo’ segue em cartaz no Teatro Amazonas

Publicado em 01 de novembro, 2025

Foto: Aguilar Abecassis/Secretaria de Estado de Cultura e Economia Criativa

Na noite desta sexta-feira (31/10), a nova versão de “Cabaré Chinelo”, agora em formato de dança, transformou o palco do Teatro Amazonas em um mergulho profundo nas memórias da Belle Époque amazonense, ressignificando, com poesia e força, as histórias de mulheres marginalizadas durante o ciclo da borracha.

O espetáculo contou com o apoio do Governo do Amazonas, por meio da Secretaria de Estado de Cultura e Economia Criativa, resultado da parceria entre o Ateliê 23, o Corpo de Dança do Amazonas (CDA) e a Orquestra de Câmara do Amazonas (OCA). A estreia foi sob fortes aplausos, conduzida pelos diretores Taciano Soares e Eric Lima.

A combinação entre dança, teatro e música ao vivo criou uma atmosfera densa e arrebatadora. A OCA, sob regência do maestro Marcelo de Jesus, trouxe uma camada de improvisação inédita à trilha sonora, tornando cada movimento dos bailarinos único.

“Foi um espetáculo bem intenso. É a terceira vez que a gente colabora com o Ateliê 23 no ‘Cabaré Chinelo’. Desde a estreia da peça eu fiquei muito impactado e quis contribuir de alguma forma. Agora, foi completamente diferente, porque trabalhamos no improviso, não havia partitura, só sabíamos a tonalidade e seguíamos o que acontecia no palco. Isso exige concentração e conexão total. A resposta dos bailarinos, a interação com a orquestra, foi incrível. Estou muito feliz. A OCA realmente não tem limites”, afirma o maestro Marcelo.

Em cartaz

Após a estreia em novo formato, o “Cabaré Chinelo” segue em cartaz neste sábado (1º/11) e domingo (02/11), novamente no Teatro Amazonas.

Os ingressos estão disponíveis a partir de R$ 50, no site shopingressos.com.br, com classificação indicativa de 16 anos.

Foto: Aguilar Abecassis/Secretaria de Estado de Cultura e Economia Criativa

Do teatro à dança

O espetáculo nasceu como peça teatral, em 2022, conquistando prêmios nacionais e reconhecimento de crítica e público. Em sua versão atual dançada, o “Cabaré Chinelo” se reinventa sem perder a essência.

A dançarina Adriana Góes, do Corpo de Dança do Amazonas, diz que essa transformação vai além da estética, é também política e emocional.

“Nas versões anteriores, eu era plateia e já fiquei impactada. Agora, no palco, percebo que a mudança vem pela linguagem, o teatro virou dança contemporânea, e isso nos permite expressar o que é ser mulher numa sociedade patriarcal. O espetáculo choca, impacta, e traz à tona questões do corpo feminino, da objetificação, da violência. É uma bebida amarga, mas necessária. A arte tem esse poder de mostrar as coisas de maneira escancarada, com poesia e cuidado. E esse espetáculo faz exatamente isso”, declara a dançarina.

Entre o público, o impacto também foi evidente. Muitos saíram do teatro emocionados e reflexivos com a força das cenas. “Eu não sabia muito sobre o espetáculo, só o básico, que era sobre mulheres na Belle Époque que vinham para Manaus e eram exploradas. Achei o espetáculo bem forte e realista na forma como tratou essa situação. Gostei muito”, afirmou Renato Mendonça.

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