
Estilista Maira Mura (esquerda), ao lado da cacique da aldeia do Piranha (de vermelho, com a filha), mostrou moda indígena em desfile pioneiro. Fotos e vídeos: Divulgação / Organização do evento
Na sexta-feira (24/10), a moda e a ancestralidade se encontraram às margens do Lago do Piranha, na região do Mamori, no município do Careiro Castanho (AM). Em um cenário iluminado pela lua e pela criatividade dos povos tradicionais, a estilista Maira Mura, moradora do Parque das Tribos, em Manaus, apresentou o primeiro desfile de moda indígena da comunidade, em uma celebração da identidade, da miscigenação e da arte amazônica.
O desfile, realizado entre 21h e 22h, reuniu modelos da própria aldeia, escolhidos entre os moradores locais — caboclos, indígenas e descendentes que representaram com orgulho a pluralidade do povo amazônico. Maira Mura, tuchaua do povo Mura e técnica em enfermagem indígena, é filha de costureira, neta e bisneta de artesãs. Ela carrega nas mãos e na imaginação a herança do fazer manual que atravessa gerações. “Minhas criações contam a história tradicional do meu povo. Cada peça é um pedaço da nossa memória, uma lembrança costurada de quem somos e de onde viemos”, define.
As roupas, confeccionadas com tecidos leves, grafismos ancestrais e elementos da floresta, refletiram a conexão com o território e a natureza. A passarela improvisada com folha e serragem, sobre chão cru, em frente à comunidade, transformou-se em palco de expressão cultural, marcada pela simplicidade e autenticidade.
O evento foi apresentado por Karlos Alves e contou com 21 modelos: Joicy Mura, Luemilly Mura, Graciane Mura, Hiarley Mura, Ana Elizia, Tayná Mura, Antonella Mura, Jonatan Mura, Valnice Mura, Karolina Alves, Eduarda Mura, Maísa Mura, Ana Lurdes, Elizane Mura, João Pedro, Anaísa Mura, Matheus Mura, Nilciane Mura, Tayson Mura, Ingrid Cascaes e Maria Eduarda Munduruku.
Encerrando a noite, um animado baile-show com a Banda Norte e Nordeste reuniu os moradores da aldeia e visitantes em clima de festa e pertencimento. O evento, pioneiro na região, mostrou que a moda pode ser um instrumento de resistência e valorização cultural, revelando a força do povo Mura, presente em dezenas de comunidades do interior do Amazonas.
Mais que um desfile, a noite no Lago do Piranha foi uma declaração de identidade — um gesto de arte, memória e orgulho de ser amazônida.
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