24/JUN 2026
Jornalista responsável: Marcos Santos

Inmetro apoia combate à intoxicação por metanol em bebidas adulteradas

Publicado em 24 de outubro, 2025

Inmetro apoia combate à intoxicação por metanol em bebidas adulteradas

Instituto distribui materiais de referência e realiza análises para reforçar confiabilidade dos testes em todo o país. (Foto: Reprodução)

Desde setembro de 2025, o Brasil enfrenta uma série de casos de intoxicação por metanol em bebidas alcoólicas adulteradas, o que levou o Instituto Nacional de Metrologia, Qualidade e Tecnologia (Inmetro) a mobilizar sua equipe técnica para garantir medições confiáveis e apoiar laboratórios de todo o país nas análises toxicológicas e de bebidas.

O metanol é uma substância altamente tóxica que, quando ingerida, pode causar cegueira e até a morte. Embora presente em pequenas quantidades em bebidas como a cachaça, o Ministério da Agricultura e Pecuária (MAPA) estabelece, pela Portaria nº 539/2022, o limite máximo de 20 mg de metanol por 100 mL de álcool anidro — o equivalente a 0,02%. Acima desse valor, o produto é considerado impróprio para consumo.

Para fortalecer a rede de análises e garantir resultados confiáveis, o Laboratório de Análise Orgânica da Divisão de Metrologia Química da Diretoria de Metrologia Científica, Industrial e Tecnologia (Dimci) produziu e distribuiu 93 unidades de materiais de referência certificados (MRCs) a instituições estratégicas, como o Instituto Nacional de Controle da Qualidade em Saúde (INCQS/Fiocruz), a Polícia Federal e a Secretaria Nacional de Segurança Pública (Senasp). Esses materiais serão utilizados por laboratórios periciais estaduais para calibração, validação de métodos e controle de qualidade.

Foram enviados MRCs de cachaça com teor certificado de metanol, além de etanol em água e etanol de alta pureza, essenciais para medições químicas precisas. O Inmetro também atendeu a uma solicitação da Senasp e da Secretaria Nacional de Políticas sobre Drogas e Gestão de Ativos (Senad), ambas do Ministério da Justiça e Segurança Pública (MJSP), realizando análises de amostras de metanol de alta pureza. Os resultados permitem que os laboratórios da Polícia Federal e das polícias científicas estaduais calibrem seus instrumentos para detectar o contaminante em bebidas suspeitas.

A diretora de Metrologia Científica, Industrial e Tecnologia, Danielle Assafin, ressaltou que a atuação do Inmetro reforça o compromisso do Instituto com a saúde pública e a segurança metrológica. “O Inmetro está colocando seus laboratórios à disposição da Anvisa para realizar ensaios toxicológicos de metanol, em apoio ao edital lançado pela Agência para identificar laboratórios com capacidade de detectar a substância em amostras biológicas”, destacou.

A ação envolve uma rede interinstitucional coordenada entre o MDIC, ao qual o Inmetro é vinculado, e o MJSP, por meio da Senasp, Senad e Polícia Federal, além da Fiocruz e da Anvisa, do Ministério da Saúde. As polícias científicas estaduais também participam da força-tarefa.

“O esforço conjunto entre ciência, segurança e gestão pública reforça nossa capacidade de proteger a sociedade. O Inmetro se firma como parceiro essencial na promoção da qualidade e na defesa do interesse público”, afirmou o presidente do Instituto, Márcio André Brito.

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