
Aos 64 anos, política ultraconservadora assume o cargo de primeira-ministra sem incluir igualdade de gênero entre suas prioridades (Foto: Reprodução/Youtube)
Sanae Takaichi, de 64 anos, foi eleita nesta terça-feira (21) pelo parlamento japonês como a nova primeira-ministra do Japão — tornando-se a primeira mulher na história do país a ocupar o cargo. A escolha representa um marco político em uma nação onde a presença feminina em cargos de liderança ainda é limitada.
A parlamentar, cuja carreira começou em 1993, já havia ocupado posições de destaque no governo, como ministra de Assuntos Internos e da Segurança Econômica. No início de outubro, Takaichi foi escolhida para liderar o tradicional Partido Liberal Democrático (PLD), que domina a política japonesa há décadas, embora venha enfrentando queda de popularidade.
Apesar do simbolismo de sua eleição, Takaichi adota uma postura ultraconservadora e não coloca a igualdade de gênero ou a diversidade entre suas prioridades. Ela se opõe a medidas que ampliem os direitos das mulheres, rejeita o casamento entre pessoas do mesmo sexo, defende a sucessão imperial exclusivamente masculina e é contrária à revisão da lei que obriga casais a adotarem o mesmo sobrenome.
Fora da política, a nova primeira-ministra chama atenção por seu lado inusitado: é ex-baterista de uma banda de heavy metal e fã de grupos como Iron Maiden e Deep Purple. Também é admiradora declarada da ex-primeira-ministra britânica Margaret Thatcher, referência mundial para líderes conservadores.
A ascensão de Sanae Takaichi marca um momento histórico para o Japão — ainda que sob a liderança de uma figura que representa, ao mesmo tempo, avanço simbólico e resistência a transformações sociais profundas.