
Câmara de Manaus enfrenta desconfiança e falta de conexão
A Câmara Municipal de Manaus (CMM) é percebida pela maioria da população como uma instituição distante e pouco transparente, segundo levantamento divulgado pela Perspectiva Mercado e Opinião. A pesquisa ouviu mil eleitores residentes nos 60 bairros da capital entre os dias 13 e 18 de outubro, com margem de erro de 3,1 pontos percentuais e nível de confiança de 95%.
De acordo com o estudo, 93,4% dos entrevistados afirmaram não saber onde encontrar informações sobre leis e atividades da Câmara, enquanto apenas 6,6% demonstraram algum conhecimento sobre o tema. A ausência de visibilidade digital também é expressiva: 86% disseram não conhecer o site nem as redes sociais oficiais da instituição.
O distanciamento entre vereadores e cidadãos é confirmado em outros indicadores. Apenas 4% da população já assistiu a uma sessão legislativa, seja presencialmente ou pela internet, e 87,4% nunca entraram em contato com qualquer vereador ou gabinete. Para 85,6% dos entrevistados, nenhum parlamentar representa bem seu bairro ou categoria profissional.
Na avaliação institucional, o quadro é igualmente desfavorável. Quase metade dos participantes (49%) classificou o desempenho da Câmara como “muito ruim” e outros 21,3% como “ruim”. Apenas 10,6% deram nota positiva à atuação do Legislativo. Em relação à transparência, 54% consideram que a instituição “nunca” é transparente em suas decisões e gastos públicos.
Outro dado relevante é a percepção de dependência em relação ao Executivo. Para 46,7% dos entrevistados, a Câmara “nunca atua de forma independente” do prefeito David Almeida. O sentimento predominante da população é de indiferença (50,6%), seguido de desconfiança (30,1%) e raiva (15,6%). Apenas 2,6% afirmaram sentir confiança e 1,1% orgulho da instituição.
Apesar do cenário negativo, o estudo identificou potencial para participação digital: cerca de 40% dos manauaras declararam que participariam de audiências públicas se tivessem a possibilidade de fazê-lo pela internet ou pelo celular. A disposição indica um caminho possível para reaproximar a Câmara da sociedade, especialmente entre os jovens e usuários ativos de plataformas digitais.
A pesquisa utilizou metodologia quantitativa com entrevistas por telefone (sistema CATI) e considerou variáveis de sexo, idade, escolaridade e nível econômico. As entrevistas foram distribuídas proporcionalmente entre os bairros mais populosos, como Jorge Teixeira, Cidade Nova, Novo Aleixo, Nova Cidade e Compensa, que concentraram o maior número de respondentes.
Os resultados apontam para uma crise de representatividade e comunicação institucional. O desconhecimento generalizado sobre o papel do Legislativo municipal e a percepção de falta de transparência indicam a necessidade de maior abertura, presença digital e estímulo à participação cívica.
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