Visita tratou do histórico da Zona Franca de Manaus, incentivos fiscais, dados de faturamento e propostas de cooperação com a França.
A Secretaria de Estado de Desenvolvimento Econômico, Ciência, Tecnologia e Inovação (Sedecti) recebeu, na quinta-feira (25/09), o conselheiro macroeconômico e financeiro da Embaixada da França no Brasil, Rafael Cezar, para apresentar o histórico e os incentivos da Zona Franca de Manaus e discutir possibilidades de cooperação em projetos de desenvolvimento sustentável na região amazônica.
Linha do tempo e dados da zona franca
Durante o encontro, o secretário-executivo de Desenvolvimento Econômico da Sedecti, Gustavo Igrejas, apresentou uma linha do tempo da Zona Franca de Manaus, destacando três fases: o início com o comércio impulsionado pelo Decreto-Lei nº 288/1967; a verticalização industrial a partir do índice de nacionalização de 1975; e a adoção dos Processos Produtivos Básicos (PPBs) na década de 1990, após a abertura econômica do governo Collor.
Igrejas ressaltou a resiliência do modelo frente a crises econômicas e ambientais. Ele informou que a indústria local conta com cerca de 550 empresas instaladas, emprega diretamente mais de 130 mil pessoas e que mais de 600 mil pessoas dependem da Zona Franca em Manaus, cidade com mais de 2,2 milhões de habitantes.
O secretário também apresentou dados de faturamento: o Polo Industrial de Manaus alcançou US$ 41 bilhões em 2011 e voltou a se aproximar desse patamar em 2024. Segundo projeções citadas na reunião, o faturamento deve atingir US$ 40 bilhões até o fim deste ano.
A gestão e fiscalização do modelo envolvem órgãos federais como a Superintendência da Zona Franca de Manaus (Suframa), além de políticas de incentivos fiscais que atraem setores como o eletroeletrônico e o de motocicletas, entre outros.
Interesse francês e propostas de cooperação
O conselheiro Rafael Cezar informou que a França busca ampliar a presença econômica fora do eixo Rio–São Paulo, com atenção especial à Amazônia. Segundo ele, a intenção é fomentar iniciativas que equilibrem desenvolvimento econômico e preservação ambiental, por meio de instrumentos como a Agência Francesa de Desenvolvimento (AFD) e parcerias com empresas francesas.
“O nosso interesse é de conhecer melhor o Brasil fora do eixo Rio–São Paulo. A Amazônia é uma prioridade para nós. Queremos contribuir para trazer desenvolvimento sustentável à região, sem destruir a floresta”, disse Cezar durante a reunião.
Sustentabilidade e preservação da floresta
A Sedecti destacou o papel do modelo da Zona Franca na preservação ambiental do estado. De acordo com a secretaria, cerca de 97% do território do Amazonas permanece preservado, e o modelo é apresentado como um mecanismo que busca equilibrar geração de empregos, arrecadação e proteção ambiental.
O encontro também serviu para discutir possibilidades de atrair novos investimentos estrangeiros e projetos de cooperação técnica voltados à economia de baixo impacto ambiental, alinhados a programas de agências multilaterais e parceiras internacionais.
A reunião contou com a participação do titular da Sedecti, Serafim Corrêa, dos secretários-executivos Gustavo Igrejas, Jeibi Medeiros e Tayana Rubim, além dos técnicos do Departamento de Atração de Investimentos e Comércio Exterior, Sidnei Magalhães e Guilherme Vilagelim.
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