
Senador diz que ação da PF atingiu pequenos extrativistas e pede transparência sobre alvos ligados ao narcotráfico. (Foto: Divulgação)
O senador Omar Aziz (PSD-AM) criticou nesta terça-feira, durante reunião da Comissão de Infraestrutura do Senado, a recente operação da Polícia Federal realizada em municípios da Calha do Rio Madeira, como Manicoré e Humaitá. A ação, que destruiu garimpos e embarcações, foi classificada por ele como um ataque desproporcional, que afetou principalmente pequenos extrativistas e famílias humildes da região.
“Eu não só vi como presenciei tudo isso ontem e ontem mesmo tomei a iniciativa de questionar o porquê dessa operação. O mais engraçado de tudo é que vão lá, tocam fogo, dizem que é o narcotráfico e não prenderam ninguém. Veja bem, não prenderam absolutamente ninguém, só destruíram, poluíram, prejudicaram, e tem pessoas que moram nessas embarcações porque não têm moradia”, afirmou o senador.
Omar questionou a diferença entre o extrativismo de pequena escala e operações de grande impacto ambiental, cobrando explicações da PF. “Quando você fala numa bitola de seis polegadas, é extrativismo; quando fala em 30, 40 polegadas, é outra coisa. Eu quero saber do Andrei Rodrigues (diretor-geral da PF) quem foi o traficante preso nessa operação. Quem foi preso? Não houve nenhum. O que houve foi prejuízo para pessoas pobres do Rio Madeira, principalmente de Humaitá, Manicoré, Novo Aripuanã, Borba e Nova Olinda”, disse.
O parlamentar também pediu transparência sobre a autorização judicial que respaldou a ação. “A Polícia Federal não faz isso sem ordem da Justiça. Precisamos saber quem foi o juiz que autorizou e quais as provas concretas que ligam a operação ao narcotráfico. Se existem narcotraficantes, que sejam presos e responsabilizados. Mas não podemos permitir que trabalhadores humildes sejam tratados como criminosos”, reforçou.
Segundo Omar, a ausência de uma regulamentação clara para o garimpo de pequena escala agrava o problema. Ele lembrou que projetos de lei sobre o tema tramitam há mais de 15 anos na Câmara dos Deputados sem votação definitiva.
“Se houvesse regulamentação, o ouro ficaria no Brasil, comercializado pela Caixa Econômica, e não seria escoado ilegalmente para Colômbia, Venezuela e outros países. O que não podemos aceitar é pirotecnia com explosões e helicópteros sobrevoando, enquanto os verdadeiros responsáveis continuam impunes”, declarou.
O senador concluiu reforçando sua posição em defesa das comunidades ribeirinhas. “Nós não aceitamos que pessoas humildes, trabalhadoras, sejam tratadas como narcotraficantes. Se existem criminosos, que sejam presos e seus nomes revelados. O que não podemos aceitar é destruir embarcações e criminalizar quem depende do extrativismo para sobreviver”, finalizou.
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