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Os ônibus voltaram a circular na noite desta quinta-feira (11), após um dia inteiro de paralisação em Manaus. A greve dos rodoviários começou ainda nas primeiras horas da manhã, de forma parcial, e se estendeu até a tarde, quando a frota foi totalmente recolhida das ruas. A justificativa da categoria foi o atraso no pagamento dos salários de agosto, que deveriam ter sido quitados no início da semana.
O movimento deixou milhares de passageiros sem transporte e provocou longas filas nos terminais da cidade. O serviço começou a ser restabelecido por volta das 18h40, quando parte dos veículos saiu das garagens, mas a demanda reprimida fez com que os ônibus circulassem superlotados, deixando muitos usuários sem conseguir embarcar.
De acordo com o Sindicato dos Rodoviários de Manaus, a autorização para que parte da frota retornasse foi concedida com a promessa de que os pagamentos fossem feitos até a manhã desta sexta-feira (12). A entidade também afirmou que, caso não haja solução até as 9h, a categoria pode deflagrar greve geral, o que afetaria novamente o transporte público da capital.
Diante da crise no transporte coletivo, o Governo do Amazonas informou, em nota, que não tem responsabilidade direta sobre o atraso dos salários, explicando que sua participação no sistema se limita ao pagamento da meia-passagem estudantil.
Segundo o Estado, os valores referentes ao benefício foram depositados judicialmente, mas acabaram sendo devolvidos ao Tesouro por decisão da Justiça no início de setembro. A transferência para a conta indicada pelas empresas estaria em tramitação no momento da paralisação.
O governo também atribuiu parte do impasse à falta de alinhamento entre Sinetram e Prefeitura, que teriam informado contas bancárias distintas para recebimento dos recursos.
Já a Prefeitura de Manaus destacou que está em dia com os subsídios destinados ao transporte coletivo. O prefeito David Almeida afirmou que somente em 2025 já foram repassados R$ 296 milhões ao sistema e que, desde o início de sua gestão, os investimentos somam R$ 1,9 bilhão.
Segundo ele, a paralisação está ligada à demora do Governo do Estado em liberar os valores referentes ao passe estudantil. O prefeito também mencionou que cerca de R$ 19 milhões permanecem retidos desde fevereiro e cobrou celeridade para a liberação dos recursos.
O Sinetram, por sua vez, esclareceu que as empresas operadoras do transporte dependem da entrada desse repasse para quitar os compromissos trabalhistas. A entidade afirmou que os recursos do passe livre estudantil estavam depositados em juízo e, após a devolução ao Estado, as companhias ficaram sem condições de efetuar os pagamentos, o que motivou a paralisação dos trabalhadores.
O Tribunal Regional do Trabalho marcou audiência de conciliação para a manhã desta sexta-feira (12), com o objetivo de mediar o conflito entre rodoviários e empresas. A Justiça já havia se posicionado em ocasiões anteriores contra a deflagração de greves no transporte coletivo, por se tratar de serviço essencial, impondo multa em caso de descumprimento.
A expectativa é de que o encontro entre as partes defina um acordo que permita a regularização do pagamento dos trabalhadores e a continuidade do serviço sem novas interrupções.
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