
Sem orçamento, ANA não monitora qualidade da água; poluição da Ponta Negra vem de Tarumã e Redenção (Foto: Divulgação)
A Agência Nacional de Águas e Saneamento Básico (ANA) está sem orçamento para manter o monitoramento da qualidade da água no Rio Negro, em Manaus. A situação compromete a avaliação da balneabilidade da Praia da Ponta Negra, único balneário artificialmente perenizado da capital, sempre com indícios de contaminação.
Durante reunião nesta quarta-feira (03/09) em Brasília, o deputado federal Amom Mandel (Cidadania-AM) apontou que a poluição do rio tem origem em dois pontos distintos: um canal de esgoto do bairro Redenção e um deságue escondido no Tarumã, ligado à Marina do Davi. “Sabemos que a água da Ponta Negra está contaminada”, afirmou o parlamentar, ao cobrar providências da agência.
Em janeiro de 2025, a Prefeitura de Manaus anunciou que faria testes diários em 11 pontos da Ponta Negra, prometendo divulgar resultados até março. Até agora, nenhum dado foi publicado. O problema se soma ao fato de que a ANA, responsável por programas como o Qualiágua, não dispõe de recursos para contratar empresas de medição. No Amazonas, 198 pontos foram monitorados em 2023, mas o relatório de 2024 só deverá sair em 2026.
A presidente da ANA, Verônica Sánchez, reconheceu a gravidade do caso, mas lembrou que a responsabilidade pela solução é dos órgãos estaduais e municipais. Já Amom disse que pretende destinar emendas parlamentares para financiar a continuidade do monitoramento.
O episódio também expõe a desorganização administrativa e a inversão de papéis no governo federal. A falta de orçamento próprio faz com que órgãos técnicos, como a ANA, dependam cada vez mais de recursos de emendas parlamentares. Na prática, deputados e senadores passaram a “oferecer” dinheiro a ministérios e autarquias, prática que também se reproduz em escala estadual e municipal, com vereadores e deputados estaduais destinando recursos a prefeituras e governos.
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