
Fotos: Divulgação
A Justiça Federal do Amazonas decidiu manter em andamento o processo que investiga a atuação de dez réus acusados de envolvimento em crimes no oeste do estado, incluindo as mortes do indigenista Bruno Pereira e do jornalista britânico Dom Phillips, ocorridas em junho de 2022.
A decisão foi tomada pela juíza Cristina Lazzari Souza, que rejeitou o pedido de absolvição sumária apresentado pelas defesas. Segundo a magistrada, existem indícios suficientes que apontam para a possível participação dos acusados nos delitos investigados. A audiência para ouvir testemunhas e interrogar os réus foi marcada para os dias 13, 14 e 15 de outubro deste ano.
Entre os denunciados estão Amarildo da Costa Oliveira, conhecido como “Pelado”, apontado como executor dos homicídios, e Rubens Villar Coelho, o “Colômbia”, acusado de liderar uma organização criminosa que atuava na região do Vale do Javari. De acordo com o Ministério Público Federal (MPF), o grupo estaria envolvido em atividades ilegais de pesca e caça, com a exportação dos produtos para países vizinhos, como Colômbia e Peru.
As investigações revelaram que a atuação de Bruno Pereira, que prestava apoio às comunidades indígenas e realizava fiscalizações contra crimes ambientais, afetava os interesses da organização. Esse teria sido um dos fatores que motivaram o assassinato. Dom Phillips, que acompanhava Bruno em reportagens para um livro sobre a Amazônia, também foi vítima do ataque.
O MPF afirma que “Colômbia” forneceu munições, embarcações e apoio logístico ao grupo criminoso. Preso desde julho de 2022, ele é considerado peça-chave no esquema investigado. Além dele e de “Pelado”, outros oito réus respondem pelo caso, que inclui crimes de homicídio qualificado, associação criminosa e delitos ambientais.
O processo segue em curso e deve ter novos desdobramentos após as oitivas programadas para outubro, quando testemunhas e acusados prestarão depoimentos à Justiça.