15/JUL 2026
Jornalista responsável: Marcos Santos

Degelo no Ártico desacelera, mas cientistas alertam que aquecimento global segue em ritmo acelerado

Publicado em 20 de agosto, 2025

Degelo no Ártico desacelera, mas cientistas alertam que aquecimento global segue em ritmo acelerado

Fenômeno temporário atribuído a variações naturais nas correntes oceânicas não indica recuperação do gelo. (Foto: Divulgação)

Pesquisadores observaram uma desaceleração no derretimento do gelo marinho no Ártico desde 2005, uma surpresa para a comunidade científica, considerando que as emissões de carbono continuam a aumentar devido à queima de combustíveis fósseis. A tendência, no entanto, é temporária e não indica recuperação do gelo, que já perdeu metade de sua extensão mínima anual em setembro desde 1979, quando começaram as medições por satélite.

Segundo os cientistas, a desaceleração se deve provavelmente a flutuações multidecadais nas correntes dos oceanos Atlântico e Pacífico, que limitam a quantidade de água aquecida que chega ao Ártico. Ainda assim, o derretimento deve acelerar novamente nos próximos cinco a dez anos, em uma taxa possivelmente maior que a observada no longo prazo.

“O fato de haver uma desaceleração é surpreendente, mas temporário. A variabilidade natural está compensando momentaneamente a perda de gelo, mas isso não muda o quadro geral do aquecimento global”, afirmou Mark England, da Universidade da Califórnia, em Irvine.

A investigação, publicada na revista Geophysical Research Letters, analisou dois conjuntos de dados sobre o gelo marinho do Ártico entre 1979 e 2024, considerando todos os meses do ano. Os resultados indicam que a desaceleração se repete em diferentes cenários climáticos simulados, mas que a perda de gelo retoma posteriormente.

A pesquisa também mostrou que, mesmo que a área de gelo marinho não diminua, o volume do gelo continua a reduzir. Andrew Shepherd, da Universidade de Northumbria, destacou que desde 2010 a espessura média do gelo em outubro tem caído 0,6 cm por ano.

Estudos históricos apontam fenômenos similares, como a “pausa” de cerca de uma década após o grande El Niño de 1998, em que a temperatura global manteve-se relativamente estável antes de retomar o aumento acelerado.

Os cientistas reforçam que as alterações climáticas permanecem inequívocas e impulsionadas pelo homem. “A ciência fundamental e a urgência da ação climática continuam inalteradas. Esta desaceleração não significa que a crise climática tenha sido resolvida”, afirmou Shepherd.

Julienne Stroeve, da University College London, acrescentou que cada tonelada de CO₂ emitida contribui para a perda de aproximadamente 2,5 metros quadrados de gelo em setembro, evidenciando que a ação humana continua sendo determinante para o futuro do Ártico.

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