19/JUL 2026
Jornalista responsável: Marcos Santos

Alimentação escolar: em Manaus, delegações de 15 países conhecem modelo inovador que valoriza agricultura familiar

Publicado em 19 de agosto, 2025

Foto: Semcom

Nesta terça-feira, 19/8, o prefeito de Manaus, David Almeida, recebeu, na Creche Municipal Professora Libânia Theodora Rodrigues Ferreira, localizada na zona Oeste, representantes de 15 países da América Latina e do Caribe, que estão numa missão técnica internacional organizada pela Food and Agriculture Organization of the United Nations (FAO), Governo do Brasil, Prefeitura de Manaus e a Rede de Alimentação Escolar Sustentável (Raes). O objetivo é conhecer e compartilhar experiências bem-sucedidas de alimentação escolar na região amazônica, com foco no modelo da cidade, considerado referência nacional e internacional.

Durante a apresentação do “Programas de Alimentación Escolas Implementados em la Amazonía”, David Almeida destacou o papel estratégico da capital na educação e na alimentação escolar.

“Nós somos uma cidade que tem mais de 250 mil alunos e ocupamos o primeiro lugar em educação básica no ensino fundamental entre as dez maiores capitais do Brasil. Investimos aproximadamente 25 milhões de dólares por ano em alimentação escolar, e conseguimos avançar significativamente na qualidade da merenda, unificando o ensino e garantindo que todas as escolas recebam a mesma alimentação, da zona urbana à zona rural”, afirmou.

Investimento anual

O Programa Municipal de Alimentação Escolar (PMAE) atende atualmente cerca de 250 mil estudantes distribuídos em 516 escolas, com investimento anual de aproximadamente R$ 130 milhões, grande parte destinada à agricultura familiar.

Entre as inovações mais importantes está a inversão da lógica da merenda: antes os alunos recebiam três dias de refeição doce e dois de salgada; hoje, a alimentação prioriza quatro dias de refeições salgadas, com carne, peixe e frango, e apenas um de doce. O cardápio inclui sucos naturais de polpa regional e alimentos frescos, sem adição de açúcar na educação infantil, seguindo rigorosamente as diretrizes do Programa Nacional de Alimentação Escolar (PNAE).

Foto: Semcom

O secretário municipal de Educação, Júnior Mar, reforçou o impacto do programa na aprendizagem e no desenvolvimento regional. “Manaus, o coração da Amazônia, serve de exemplo em gestão moderna de alimentação escolar. Nossa rede é a terceira maior do Brasil e a alimentação escolar impacta positivamente nosso IDEB. É fruto de uma gestão que alia segurança alimentar, suporte pedagógico e planejamento robusto”, disse, destacando a parceria com o Governo Federal.

Fernanda Pacobahyba, presidente do Fundo Nacional de Desenvolvimento da Educação (FNDE), representante do Governo Federal, ressaltou a importância do investimento conjunto entre União, estados e municípios. “É muito importante ter a figura do prefeito, porque não é apenas o aporte federal que garante uma alimentação de qualidade. Os municípios precisam colocar recursos na alimentação escolar. Em Manaus, vemos uma boa prática que cumpre as recomendações nutricionais e que vale ser compartilhada com o restante do mundo”, destacou.

Intersetorialidade

Representando a Agência Brasileira de Cooperação (ABC), Cecília Malaguti enfatizou a relevância da intersetorialidade do programa. “O vínculo da alimentação escolar com a agricultura familiar é uma referência para todos os países, e a participação do governo federal, estadual e municipal mostra que essa política pode contribuir significativamente para o combate à fome e à pobreza”, afirmou.

Foto: Semcom

Impacto internacional

A coordenadora sênior de alimentação escolar da FAO e secretária executiva da RAES, Najla Veloso, reforçou a posição do Brasil como referência global. “O país consolidou políticas que favorecem a agricultura familiar e garantem acesso a alimentos de qualidade a 40 milhões de estudantes. A estrutura de logística, governança e gestão de Manaus é reconhecida internacionalmente e serve de modelo para toda a América Latina e Caribe”, comentou.

A representante da delegação do Paraguai, Reveca Chavez, destacou a logística e a atenção à primeira infância. “A adaptação dos cardápios conforme a idade das crianças é impressionante, garantindo que a alimentação contribua para a formação integral e futura de cada aluno. Além disso, a compra direta da agricultura familiar valoriza a economia local e fortalece a vida da cidade”, afirmou.

Oscar Requena, representante das delegações da América Latina e Caribe, falou sobre o aprendizado proporcionado pela experiência manauense. “Visitamos o Centro de Distribuição de Alimentos da Semed e creches modelo. É inspirador ver como Manaus organiza a alimentação escolar para mais de 250 mil crianças, gerando experiências que podemos adaptar em nossos próprios países”, disse.

Combinando saúde, cultura amazônica, logística e sustentabilidade, Manaus apresenta um modelo de alimentação escolar que não apenas garante nutrição adequada, mas também fortalece a economia local e promove o desenvolvimento educacional, consolidando a cidade como referência em políticas públicas de alimentação escolar na América Latina e no Caribe.

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