
Evento no Fórum Trabalhista de Manaus reuniu especialistas para discutir desafios, acolhimento e caminhos para inclusão. (Foto: Renard Batista)
Como parte da Semana Nacional de Conscientização sobre o Transtorno de Déficit de Atenção com Hiperatividade (TDAH), o Tribunal Regional do Trabalho da 11ª Região (AM/RR) realizou, no Fórum Trabalhista de Manaus, o seminário “TDAH, do reconhecimento aos cuidados”. O evento foi promovido pela Coordenadoria de Saúde (Codsau) e reuniu especialistas da área da saúde, educação e gestão pública para debater os desafios enfrentados por quem convive com o transtorno.
“Quem convive com o TDAH aprende a traçar suas próprias rotas, respeitar seus ritmos e transformar dificuldades em criatividade e reinvenção”, destacou o psiquiatra Heider Cesar, da Codsau, durante o encontro.
Diagnóstico e tratamento
Segundo Heider, o TDAH atinge entre 5% e 8% da população mundial e, embora o diagnóstico seja mais frequente em meninos, há subdiagnóstico entre meninas, em razão da manifestação mais sutil dos sintomas. O transtorno, explica o médico, é multifatorial, com base genética e influências ambientais — como estresse, sono irregular e ambiente familiar instável.
O diagnóstico é clínico e costuma ser feito na infância, com base em critérios comportamentais. O tratamento inclui medicamentos, terapia psicológica e suporte educacional adaptado. Mudanças no estilo de vida, como alimentação equilibrada, atividade física e qualidade do sono, também são recomendadas. Técnicas de atenção plena (mindfulness) auxiliam na autorregulação emocional.
“A criança com TDAH costuma perder o foco facilmente, o que impacta a rotina escolar e os relacionamentos. A medicação pode ser eficaz, mas deve ser indicada conforme a realidade de cada paciente, especialmente em casos com comorbidades como ansiedade ou depressão”, explicou o psiquiatra.
A pedagoga Raquel Cleto e a psicóloga Lidinalva Balbi, do Centro Municipal de Atendimento Socioeducativo e Psicossocial (CEMASP), ligado à Secretaria Municipal de Educação (Semed), também participaram do evento, destacando o projeto Espaço de Superação, voltado ao atendimento de estudantes com TDAH.
“O aprendizado precisa ser contínuo. Não se oferece um serviço de excelência sem atualização constante”, afirmou Raquel. Já Lidinalva ressaltou a pouca visibilidade do TDAH nas políticas públicas: “O autismo é amplamente debatido, enquanto o TDAH segue marginalizado. Falar sobre isso é reconhecer direitos”.
Impactos na vida e na rotina
O psicólogo Arthur César pontuou que o TDAH afeta áreas como atenção, impulsividade, regulação emocional, organização e percepção do tempo, especialmente em um mundo que exige foco e produtividade. Segundo ele, o transtorno provoca frustrações e sensação de impotência.
“É um cérebro que funciona diferente. A pessoa sabe o que deve fazer, mas nem sempre consegue agir. Isso afeta a autoestima e pode levar a comorbidades como ansiedade e depressão”, explicou. Para ele, além da medicação, terapias como a Cognitivo-Comportamental (TCC) são fundamentais no tratamento.
A pedagoga Denise Teperine Dias Barroso, diagnosticada com TDAH, compartilhou sua trajetória e criticou a falta de apoio nas escolas e serviços públicos. Segundo ela, muitos pais têm buscado diagnósticos de autismo para garantir suporte educacional a filhos com TDAH, o que tem gerado judicializações e confusões entre profissionais.
“O TDAH compromete áreas como organização e controle emocional. Com apoio simples, como auxílio na gestão do tempo, seria possível evitar a busca por outros diagnósticos apenas para garantir acolhimento”, afirmou.
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