
Bolivianos irão dia 17 de Agosto eleger Presidente e Congresso. (Foto: Jorono/Pixabay)
A Bolívia se prepara para escolher novo presidente, vice e renovar o Congresso em 17 de agosto, em meio a uma reviravolta política: após 19 anos de protagonismo da esquerda, liderada pelo Movimento ao Socialismo (MAS), a direita aparece como favorita nas pesquisas eleitorais.
O empresário Samuel Medina lidera os levantamentos, seguido por Jorge “Tuto” Quiroga. Juntos, os dois nomes conservadores somam aproximadamente 47% das intenções de voto, cenário que pode levar a disputa para um inédito segundo turno, agendado para 19 de outubro, caso nenhum candidato atinja os critérios de vitória em primeiro turno.
Do outro lado, a esquerda amarga divisão e queda de popularidade. O MAS, partido que elegeu Evo Morales e, posteriormente, Luis Arce, enfrenta rachas internos e está enfraquecido. O atual presidente, Arce, abriu mão da reeleição e indicou o ex-ministro Eduardo De Castillo, que tem apenas 2% nas pesquisas. Morales, impedido de concorrer por já ter cumprido três mandatos, rompeu com antigos aliados e passou a defender o voto nulo, ao mesmo tempo em que responde a uma acusação judicial que ele nega.
Ex-nome promissor da esquerda, Andrónico Rodríguez também perdeu força ao deixar o MAS e tentar candidatura independente. Com cerca de 6% nas intenções de voto, ele é alvo de críticas do próprio Morales. A ex-senadora e prefeita de El Alto, Eva Copa, também havia lançado candidatura pela recém-criada legenda Morena, mas desistiu ao final de julho.
Especialistas apontam que o personalismo de Evo e a falta de unidade corroeram a força do MAS, que corre o risco de não alcançar a cláusula de barreira e ficar sem representação significativa no Parlamento.
A possível virada de página na política boliviana ocorre em um contexto de crise econômica e descrédito nas lideranças tradicionais. Se confirmado o favoritismo da direita, será a primeira vez que um presidente eleito não terá participado da construção do atual modelo plurinacional do Estado boliviano, instituído com a nova Constituição de 2009.
Agência Brasil
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