08/JUL 2026
Jornalista responsável: Marcos Santos

Exposição científica no Largo São Sebastião marca 71 anos de implantação do Inpa

Publicado em 30 de julho, 2025

Exposição científica no Largo São Sebastião marca 71 anos de implantação do Inpa

Um dos principais pontos turísticos de Manaus, o Largo São Sebastião, ao lado do Teatro Amazonas, foi palco para o Ciência na Praça. O evento de popularização da ciência aconteceu no domingo (27) das 16h às 20h, e marcou os 71 anos de implantação do Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia (Inpa/MCTI), instituição que é referência em estudos de biodiversidade da Amazônia, ecologia e mudanças climáticas.

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Diretor Henrique Pereira. Foto Fernanda Reis/Ascom Inpa

Mais de 20 tendas com exposições e experiências interativas foram montadas no local. Pesquisadores, técnicos, estudantes de mestrado e doutorado, bolsistas e colaboradores saíram do ambiente rotineiro de trabalho e foram para uma área de grande circulação de pessoas da cidade para mostrar pesquisas e tecnologias produzidas sobre a Amazônia e as contribuições do Inpa para a melhoria da vida das pessoas e para o desenvolvimento sustentável da região.

“Este ano resolvemos fazer algo diferente. Nós viemos para a praça, para o centro histórico de Manaus, cidade que é a sede do Inpa. E aqui estamos mostrando à população um pouco das pesquisas que fazemos na Amazônia. Está sendo um grande sucesso e estamos pensando em repetir outras vezes, em outros pontos da nossa cidade”, disse o diretor do Inpa, Henrique Pereira.

Visitantes

Os visitantes puderam interagir diretamente com os cientistas e tirar dúvidas. Foi uma oportunidade ainda para conhecer amostras das coleções de animais, plantas e fungos da Amazônia, óleos essenciais extraídos da flora amazônica (pau rosa e preciosa), abelhas sem ferrão que são importantes para polinização e produção de mel, e ações para a  conservação de animais ameaçados de extinção como peixe-boi e tartaruga da Amazônia.

“Estou gostando muito de ver os anfíbios e répteis, gosto de ver os bichos empalhados, e aqui está sendo muito legal!”, contou Beatriz Baccaro, de 9 anos, que sonha em ser bióloga.

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Os expositores usaram diversos recursos para despertar o interesse do público pela ciência, que tem papel estratégico no desenvolvimento do país e no avanço da sociedade, e estimular a compreensão da importância da preservação da biodiversidade e dos ecossistemas amazônicos. Os instrumentos de pesquisas de campo e de laboratório também chamaram bastante atenção de crianças, jovens e adultos.

“É muito bom a gente poder vir a um passeio na praça e dá de cara com essa feira tão legal e tão bem feita. Essa proximidade com os pesquisadores do Inpa, a aproximação com a ciência que o Inpa está promovendo é muito importante para toda a comunidade e para a cidade de Manaus”, destaca a visitante Thábata Pontes.

Programa

Para a coordenadora do Programa de Coleções Científicas Biológicas do Inpa, a pesquisadora Fernanda Werneck, a experiência foi uma rica oportunidade de trocas com a população de Manaus e num evento que ocorreu fora do local convencional. Na rotina, é o Inpa quem abre as portas e espera o público, principalmente no Bosque da Ciência, espaço de visitação pública do instituto.

“Faz muita diferença você vir para a praça e trazer os animais de verdade, as plantas, instrumentos de trabalho, ter os cientistas aqui e os seus objetos de estudo. As pessoas estão gostando muito”, destaca Werneck, que é curadora da Coleção de Anfíbios e Répteis e líder do Laboratório de Ecologia e Evolução Molecular (Leevi).

Os visitantes se encantam com os animais reais preservados para estudos (como taxidermizados – conhecidos como ‘empalhados’ – ou preservados também em meio líquido), suas cores, formas, tamanhos e realismo. Não à toa, sapos, pererecas, cobras, lagartos, insetos, preguiças, araras e muitos outros foram preparados e montados com características semelhantes às reais para fins de estudos, conservação e educação.

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“Essa, então, é a nossa oportunidade para explicar a importância dos estudos que fazemos, a importância dos acervos científicos e de preservar os representantes da nossa biodiversidade para os estudos e para a socialização do conhecimento”, conta Werneck, que é bióloga, com mestrado em Ecologia e doutorado em Biologia Integrativa.

Bosquinho, o mascote

Quem também chamou atenção foi o Bosquinho, o mascote do Bosque da Ciência. Em tour com uma arara-azul, o Bosquinho fez muitas paradas para cliques com os visitantes.

“Fiquei encantado com a iniciativa, muita gente, muita informação. É importante você inserir as pessoas mostrando o que a ciência faz, aproximar a ciência do público. Ir para as praças como a gente está vendo aqui é algo maravilhoso, a gente podia fazer isso mais vezes e até o governo participando disso. O Inpa está de parabéns”, disse o secretário-executivo de Ciência, Tecnologia e Inovação do Amazonas, Jeibi Medeiros.

Instrumentos de pesquisa

Apresentar soluções, tecnologias e descobertas científicas são atrativos efetivos na popularização da ciência. Mas como se faz pesquisa e quais instrumentos são utilizados são questões presentes no imaginário das pessoas. Para matar a curiosidade e tornar a ciência acessível a todos, vários grupos, laboratórios e projetos levaram instrumentos de pesquisa para a exposição.

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Pedro Henrique Oliveira, de 7 anos, participou do Ciência na Praça com os pais e o irmão mais velho, João, de 10 anos. Entusiasmado com as explicações da exposição “A água não está para peixe”, o estudante do 2º ano viu pelo microscópio células de peixe contaminadas.  “Foi a primeira vez que vi algo pelo microscópio, foi muito legal”, comemorou Oliveira.

Entre os instrumentos estavam lupas, placas de petri (recipiente redondo e transparente usado geralmente para cultura de bactérias e fungos), tubos de ensaio, redes entomológicas para coleta de insetos e armadilhas fotográficas. As câmeras trap – armadilhas fotográficas, por exemplo, são instaladas em árvores para inventário e monitoramento de mamíferos como cutias, macacos, onças e tamanduás. As fotos expostas foram capturadas na Base Alto Cuieiras e no Bosque da Ciência.

Pesquisas

“O nosso Grupo de Pesquisa de Mamíferos Amazônicos trouxe moldes de pegadas de anta, onça vermelha e onça pintada, armadilhas fotográficas de diferentes modelos, antigas e modernas, além de registros com armadilhas fotográficas, vídeos e desenhos de colorir para as crianças”, contou o bolsista do Programa de Capacitação Institucional (PCI), Alexander Arévalo.

O Programa de Grande Escala da Biosfera-Atmosfera da Amazônia (Programa-LBA) apresentou a instrumentação de uma estação meteorológica automática equipada com sensores, painel solar e datalogger, dispositivo que armazena os dados que são baixados para os estudos. A estação mede velocidade e direção do vento, radiação solar, quantidade de chuva (pluviômetro), temperatura e umidade relativa do ar.

O Programa também expôs pluviômetros utilizados pelo grupo de hidrologia e uma maquete da Torre K-34. Instalada no sítio experimental ZF-2, próximo a Manaus, a torre monitora fluxos de energia, gás carbônico, água na atmosfera e outras medições auxiliares, dados importantes para entender a resposta hidrológica da Amazônia à mudança do clima. No total, o LBA conta com uma rede de quase 20 torres que estão distribuídas no Amazonas, Pará, Rondônia e Mato Grosso.

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Ciência na Praça. Foto Fernanda Reis/Ascom Inpa
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Programa Coleções. Foto Fernanda Reis/Ascom Inpa
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Programa LBA. Foto Fernanda Reis/Ascom Inpa
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Peixes amazônicos. Foto Fernada Reis/Ascom Inpa
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Insetos aquáticos. Foto Fernanda Reis.
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Editora Inpa. Foto Fernanda Reis/Ascom Inpa

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