03/JUN 2026
Jornalista responsável: Marcos Santos

Agosto: previsão é de poucas chuvas na parte central do País

Publicado em 29 de julho, 2025

Agosto: previsão é de poucas chuvas na parte central do País

A previsão climática do Instituto Nacional de Meteorologia (INMET) indica predomínio de chuvas próximas à média em grande parte do país (tom em cinza na Figura 1a). Em áreas pontuais do oeste e nordeste da Região Norte, leste da Região Nordeste e oeste da Região Sul, bem como o sul do Mato Grosso do Sul, região do Triângulo Mineiro e centro do Espírito Santo, as previsões apontam chuvas acima da média (tom em azul na Figura 1a). Por outro lado, no sul de Roraima e porção central do Pará, estão previstos valores abaixo da média (tom em amarelo na Figura 1a).

Em grande parte da Região Norte, os prognósticos indicam valores próximos à climatologia. Em áreas do noroeste do Amazonas, nordeste de Roraima e do Pará, estão previstos volumes de chuva de até 50 mm acima da média histórica. Em contraste, prevê-se chuva abaixo da média no centro-sul de Roraima e área central do Pará.

Para a Região Nordeste, são previstos acumulados de chuva próximos à média histórica na maioria dos estados. As exceções ocorrem em áreas pontuais das faixas litorâneas do nordeste da Bahia, Sergipe, Pernambuco e Paraíba, onde os volumes podem ultrapassar os 80 mm.

Chuvas

Nas regiões Centro-Oeste e Sudeste, são previstos, predominantemente, volumes de chuva próximos à média climatológica, com áreas onde a ausência de chuva é comum para esta época do ano. No entanto, em localidades do centro-sul de Mato Grosso do Sul, sudoeste de Minas Gerais e na porção central do Espírito Santo, podem ocorrer acumulados superiores a 40 mm.

Para a Região Sul, são previstos acumulados de chuva próximos à média histórica, com menores volumes ocorrendo na parte norte do Paraná e valores variando entre 60 e 80 mm. Já em áreas pontuais do noroeste do Rio Grande do Sul e oeste do Paraná, a previsão é de 50 mm acima da média histórica.

Temperatura

A previsão indica que as temperaturas devem ficar acima da média em quase todo o país (tons laranja e vermelho na Figura 1b), especialmente no centro-sul do Pará, noroeste do Mato Grosso, centro-oeste do Mato Grosso do Sul, além da região do MATOPIBA (Maranhão, Tocantins, Piauí e Bahia). Destaque para o sudeste do Pará e porções noroeste e sudoeste do Mato Grosso, onde as temperaturas podem alcançar até 2°C acima da média, variando entre 27°C e 30°C.

Média

Nas regiões Nordeste e Sudeste, a previsão é de temperaturas acima da média em todos os estados, com áreas pontuais próximas à climatologia, especialmente no leste da Região Nordeste e no nordeste da Região Sudeste. As temperaturas devem permanecer acima de 24°C no Nordeste, e entre 20°C e 26°C no Sudeste, porém em áreas de maior altitude podem ficar abaixo de 18°C.

Em grande parte da Região Sul, as temperaturas devem predominar acima da média, podendo alcançar até 1,0°C acima da média. Em algumas áreas pontuais do oeste do Paraná e leste de Santa Catarina, as temperaturas podem permanecer próximas à climatologia (tom em cinza na Figura 1b). No Rio Grande do Sul, devem predominar temperaturas acima da média, porém podem ocorrer temperaturas abaixo dos 15°C, principalmente em áreas serranas.

 

Figura 1: Previsão de anomalias de (a) precipitação e (b) temperatura média do ar do modelo climático do INMET, para o mês de agosto de 2025.

Possíveis Impactos nas culturas agrícolas

Considerando o prognóstico climático do INMET para agosto de 2025 e seus possíveis impactos nas principais culturas agrícolas, destaca-se que, com a previsão de temperaturas do ar mais elevadas e chuvas dentro da normalidade na Região Norte, a atenção se volta para as culturas permanentes e pastagens, especialmente no sudoeste do Pará, onde há tendência de baixa reposição hídrica. O elevado risco de estresse hídrico pode comprometer a reposição das taxas de evapotranspiração das pastagens e reduzir, de forma significativa, a oferta de alimentos ao rebanho na região.

Na Região Nordeste, a previsão de chuvas acima da média para o litoral dos estados da Bahia, Sergipe, Pernambuco e Paraíba, pode beneficiar as safras do feijão e milho de terceira safra, favorecendo o suprimento hídrico para o desenvolvimento final da lavoura. Em contraste, na região do MATOPIBA, são previstas condições mais secas, com maior risco de estresse hídrico, o que pode comprometer o desempenho agrícola nas áreas menos irrigadas.

Colheitas

Nas regiões Centro-Oeste e Sudeste, a previsão de chuvas próximas à média pode favorecer as atividades de colheita do milho segunda safra e do algodão no Centro-Oeste, além do café e da cana-de-açúcar no Sudeste. No entanto, as altas temperaturas e a baixa umidade relativa do ar tendem a elevar as taxas de evapotranspiração das plantas, exigindo a adoção de práticas de conservação do solo, especialmente em áreas com lavouras em pleno desenvolvimento vegetativo ou em fases críticas, como floração e enchimento de grãos, a exemplo do feijão de terceira safra.

Na Região Sul, a entrada de massas de ar frio, favorece a ocorrência de geadas, que pode representar risco às culturas mais sensíveis, como hortaliças e frutíferas. Além disso, as baixas temperaturas podem atrasar a maturação do milho. Já a ocorrência de chuvas acima da média no oeste do Rio Grande do Sul e Paraná, pode interferir na semeadura e no estabelecimento inicial dos cultivos de inverno, como trigo, aveia, canola, centeio e a cevada, especialmente em solos com baixa capacidade de infiltração e drenagem. No geral, a umidade do solo será suficiente para o desenvolvimento destes cultivos.

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