16/JUL 2026
Jornalista responsável: Marcos Santos

Juiz analisa impasses do PL das Fake News em novo livro sobre regulação digital

Publicado em 03 de julho, 2025

Juiz analisa impasses do PL das Fake News em novo livro sobre regulação digital

Segundo o Juiz Ronnie Stone, a decisão de escrever o livro surgiu da percepção de que o tema da regulação das plataformas digitais é muito mais amplo do que normalmente se discute (Foto: Divulgação)

O juiz de Direito Ronnie Frank Torres Stone, do Tribunal de Justiça do Amazonas, lança em 2025 o livro “Do Combate à Desinformação à Regulação das Plataformas Digitais (O des-caminho do Projeto de Lei n. 2.630/2020)”, que apresenta uma análise aprofundada sobre a proposta legislativa conhecida como PL das Fake News. A obra revisita o caminho percorrido pelo projeto no Congresso Nacional e oferece reflexões sobre seus impactos para a sociedade, a democracia e a atuação das plataformas digitais.

Publicado pela Villa Editora, o livro está disponível em formato digital desde maio de 2025 e teve sua versão impressa lançada no mês seguinte, com 265 páginas. A edição digital pode ser adquirida na Amazon, por R$ 24,89, enquanto a versão física está à venda no Mercado Livre, por R$ 160,00.

O conteúdo é resultado de uma pesquisa acadêmica desenvolvida entre 2022 e 2023 no Curso de Especialização em Direito Público da Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul (PUC-RS), sob orientação da professora doutora Livia Haygert Pithan. Ao longo da obra, o autor disseca os objetivos iniciais do PL 2.630/2020, discute suas modificações ao longo do tempo e analisa as razões que levaram ao arquivamento da proposta pelo presidente da Câmara dos Deputados, em abril de 2024.

Segundo o juiz Ronnie Stone, a motivação para escrever o livro surgiu da percepção de que o debate público em torno da regulação digital é frequentemente limitado. “O controle sobre conteúdo em redes sociais acaba sendo o foco dominante do debate, mas essa questão é apenas a ponta do iceberg. A realidade virtual permeia quase todas as esferas da vida moderna – relações sociais, negociais e públicas – e ainda não nos demos conta disso plenamente”, afirma o magistrado. Para ele, discutir o tema é indispensável e deve envolver toda a sociedade, não apenas especialistas.

Embora tenha forte apelo para juristas, legisladores, profissionais de tecnologia e pesquisadores, a obra foi escrita com uma linguagem acessível, com o objetivo de alcançar também o público interessado em temas como liberdade de expressão, desinformação e responsabilidade digital. Entre os assuntos abordados estão a atuação das plataformas digitais, os critérios de veracidade das informações, os limites da moderação de conteúdo e os perigos de uma regulação estatal mal conduzida.

Stone destaca que o PL 2.630/2020, inicialmente voltado ao combate às fake news, foi ampliado ao longo de sua tramitação para tratar de temas diversos, como proteção de crianças nas redes sociais e remuneração de conteúdo jornalístico. Com isso, perdeu o foco original e encontrou resistência política, o que contribuiu para seu arquivamento. Apesar disso, o projeto serviu como ponto de partida para discussões fundamentais sobre o papel das plataformas e os limites da intervenção estatal no ambiente digital.

Ao longo da análise, o autor também dialoga com recomendações de organismos internacionais, como a UNESCO e o Conselho da Europa, e reforça a importância de um debate democrático que evite legislações precipitadas. Citando o historiador Timothy Snyder, Stone alerta para os riscos da “obediência antecipada”, prática que, segundo ele, pode abrir espaço para o autoritarismo.

Além de juiz e pesquisador, Ronnie Frank Torres Stone é mestre em Direito pela Universidade Federal de Pernambuco (UFPE) e tem atuação destacada no debate jurídico sobre novas tecnologias e direitos fundamentais.

A obra, segundo ele, é um convite à reflexão. “O desafio não é apenas controlar a desinformação, mas construir soluções que respeitem a liberdade, a pluralidade e os direitos civis em uma sociedade cada vez mais conectada”, concluiu o juiz.

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