05/JUN 2026
Jornalista responsável: Marcos Santos

Sommelier de Ernesto Catena revela, em Manaus, segredos do vinho

Publicado em 03 de junho, 2025

Sommelier

Sommelier deu palestra para amantes do vinho no Castelinho (foto) da Top Internacional

O “Head Sommelier” (sommelier chefe) de Ernesto Catena, Vinícius Mota Maciel, 33, brasileiro, nortista do Tocantins, passou por Manaus, esta semana. Veio divulgar os vinhos da casa, como embaixador de marca e representante da empresa nas exportações. Ele é quem escolhe, degusta, harmoniza, cuida da guarda e vende os vinhos do filho mais velho e rebelde de Nícolas Catena, o patriarca dos maiores produtores de vinho da América Latina.

Desde 2015 na Argentina, Vinícius partiu do Tocantins para um mestrado em Direito Internacional, em Buenos Aires. Nas férias, durante visita a Mendonça, se apaixonou pelo mundo do vinho. Abandonou o Direito e trocou de faculdade, cursando a Escola Argentina de Sommeliers. “Havia 250 candidatos à vaga de head sommelier de Ernesto Catena e consegui ser escolhido. É preciso estudar muito porque Ernesto é pioneiro em viticultura orgânica e biodinâmica na Argentina”, conta.

Ernesto é o primogênito com negócios independentes, ao contrário das irmãs, Laura e Adriana Catena, que são mais ligadas ao pai. Tanto que ele usa a marca Vino Tikal para os seus produtos, onde desponta o tinto Alma Negra, em diversas versões, produzido com “uvas misteriosas” e vendido em 15 países. Ernesto se autodenomina “Créator de Vins” (produtor de vinhos, em francês) e cultiva parcerias com pequenos produtores.

“Sommelier é o comunicador. Tem que conhecer a elaboração, ter contato com a produção”, diz Vinícius. Ele gosta de estar presente no momento em que o enólogo Alejandro Kuchnaroff, o engenheiro agrônomo que elabora o vinho, está trabalhando. Descendente de ucranianos, Kuchnaroff está para a Tikal como o xará Alejandro Vigil para a Catena Zapata.

Morando em Buenos Aires e viajando a cada 15 dias a Mendonça, Vinícius conhece cada vez mais o mundo do vinho argentino. “O maior mercado para os vinhos do país é a própria Argentina. O vinho está na cesta básica nacional. Tanto que, apesar das mudanças na economia, como se trata de uma questão cultural, o mercado não sentiu tanto”, explica.

 

Outros vinhos

Com o Alma Negra como topo de gama, a Tikal tem outros rótulos conhecidos, como a linha “Animal”. “A primeira linha é o Finca Tikal Natural, seleção dos melhores vinhedos da família. Cada garrafa vem de um vinhedo diferente”, revela. “Temos a linha Siesta, de Vista Flores, produzido em altitude média, 1,1 mil metros. E o Mara de Uco, de Padrilhos”, acrescenta.

A venda de 60% do portifólio de Ernesto é feita na Argentina. Os EUA consomem 50% do restante, como maior importador, seguido do Canadá e Brasil, América Latina e Europa. “A Europa não tem sido difícil de desbravar. Ernesto, quarta geração de família italiana que foi para a Argentina, tem um projeto na Toscana, onde usa o conhecimento de ter morado lá. Aproveita para divulgar vinhos em países como Espanha, França, Itália e Portugal”, afirma. A vinícola fica a 20 minutos de Florença (Firenze), ao lado do rio Arno.

Vinícius ainda tem que explicar aos amigos e familiares porque abandonou o Direito pelo mundo do vinho, quando vai ao Tocantins. “Eles entendem cada vez mais. Meu trabalho é um desafio constante, porque não tenho a cultura enraizada do vinho. Mas eu brinco que nasci pra isso (risos). Me identifico muito com Ernesto. E gosto de desafios, de nadar contra a maré”, diz o sommelier.

“O segredo do vinho é abrir garrafa. Tem que experimentar, gostar e estudar. Nossa vinícola principal produz mais de 1 milhão de litros de tintos, brancos, roses e laranjas, feitos com método de elaboração ancestral, colocando uvas brancas em contato prolongado com as peles. A ação do oxigênio produz a coloração alaranjada. É um vinho com características de frutos secos, acidez pouco mais elevada, mais rústicos, com muita versatilidade: boas-vindas, saladas, porco e até carnes de gado magra”, finaliza.

Vinícius foi ciceroneado, em Manaus, pelo representante da Mistral Importadora no Amazonas, Ivanhoé Mendes, que também é sommelier. Ele fez apresentações dos vinhos de Ernesto Catena na Top Internacional e no Pátio Gourmet da Morada do Sol. E também visitou restaurantes, como o Caxiri, no Centro, e Banzeiro, no Beco do Macedo. Gostou muito do tambaqui e do cupuaçu “diferentes do Tocantins”. “Quero voltar na época da pesca, minha outra paixão, para ir aos famosos lagos amazonenses e pegar o tucunaré”, finaliza. Pescar, aliás, foi um dos pedidos que ele fez à Mistral, ao saber que viria a Manaus. A temporada, infelizmente, só inicia por volta da segunda quinzena de agosto.

Vinícius (esquerda) foi ciceroneado por Ivanhoé Mendes (direita), representante da Mistral em Manaus. Os dois estão, na foto, no restaurante Banzeiro

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