
Sommelier deu palestra para amantes do vinho no Castelinho (foto) da Top Internacional
O “Head Sommelier” (sommelier chefe) de Ernesto Catena, Vinícius Mota Maciel, 33, brasileiro, nortista do Tocantins, passou por Manaus, esta semana. Veio divulgar os vinhos da casa, como embaixador de marca e representante da empresa nas exportações. Ele é quem escolhe, degusta, harmoniza, cuida da guarda e vende os vinhos do filho mais velho e rebelde de Nícolas Catena, o patriarca dos maiores produtores de vinho da América Latina.
Desde 2015 na Argentina, Vinícius partiu do Tocantins para um mestrado em Direito Internacional, em Buenos Aires. Nas férias, durante visita a Mendonça, se apaixonou pelo mundo do vinho. Abandonou o Direito e trocou de faculdade, cursando a Escola Argentina de Sommeliers. “Havia 250 candidatos à vaga de head sommelier de Ernesto Catena e consegui ser escolhido. É preciso estudar muito porque Ernesto é pioneiro em viticultura orgânica e biodinâmica na Argentina”, conta.
Ernesto é o primogênito com negócios independentes, ao contrário das irmãs, Laura e Adriana Catena, que são mais ligadas ao pai. Tanto que ele usa a marca Vino Tikal para os seus produtos, onde desponta o tinto Alma Negra, em diversas versões, produzido com “uvas misteriosas” e vendido em 15 países. Ernesto se autodenomina “Créator de Vins” (produtor de vinhos, em francês) e cultiva parcerias com pequenos produtores.
“Sommelier é o comunicador. Tem que conhecer a elaboração, ter contato com a produção”, diz Vinícius. Ele gosta de estar presente no momento em que o enólogo Alejandro Kuchnaroff, o engenheiro agrônomo que elabora o vinho, está trabalhando. Descendente de ucranianos, Kuchnaroff está para a Tikal como o xará Alejandro Vigil para a Catena Zapata.
Morando em Buenos Aires e viajando a cada 15 dias a Mendonça, Vinícius conhece cada vez mais o mundo do vinho argentino. “O maior mercado para os vinhos do país é a própria Argentina. O vinho está na cesta básica nacional. Tanto que, apesar das mudanças na economia, como se trata de uma questão cultural, o mercado não sentiu tanto”, explica.
Com o Alma Negra como topo de gama, a Tikal tem outros rótulos conhecidos, como a linha “Animal”. “A primeira linha é o Finca Tikal Natural, seleção dos melhores vinhedos da família. Cada garrafa vem de um vinhedo diferente”, revela. “Temos a linha Siesta, de Vista Flores, produzido em altitude média, 1,1 mil metros. E o Mara de Uco, de Padrilhos”, acrescenta.
A venda de 60% do portifólio de Ernesto é feita na Argentina. Os EUA consomem 50% do restante, como maior importador, seguido do Canadá e Brasil, América Latina e Europa. “A Europa não tem sido difícil de desbravar. Ernesto, quarta geração de família italiana que foi para a Argentina, tem um projeto na Toscana, onde usa o conhecimento de ter morado lá. Aproveita para divulgar vinhos em países como Espanha, França, Itália e Portugal”, afirma. A vinícola fica a 20 minutos de Florença (Firenze), ao lado do rio Arno.
Vinícius ainda tem que explicar aos amigos e familiares porque abandonou o Direito pelo mundo do vinho, quando vai ao Tocantins. “Eles entendem cada vez mais. Meu trabalho é um desafio constante, porque não tenho a cultura enraizada do vinho. Mas eu brinco que nasci pra isso (risos). Me identifico muito com Ernesto. E gosto de desafios, de nadar contra a maré”, diz o sommelier.
“O segredo do vinho é abrir garrafa. Tem que experimentar, gostar e estudar. Nossa vinícola principal produz mais de 1 milhão de litros de tintos, brancos, roses e laranjas, feitos com método de elaboração ancestral, colocando uvas brancas em contato prolongado com as peles. A ação do oxigênio produz a coloração alaranjada. É um vinho com características de frutos secos, acidez pouco mais elevada, mais rústicos, com muita versatilidade: boas-vindas, saladas, porco e até carnes de gado magra”, finaliza.
Vinícius foi ciceroneado, em Manaus, pelo representante da Mistral Importadora no Amazonas, Ivanhoé Mendes, que também é sommelier. Ele fez apresentações dos vinhos de Ernesto Catena na Top Internacional e no Pátio Gourmet da Morada do Sol. E também visitou restaurantes, como o Caxiri, no Centro, e Banzeiro, no Beco do Macedo. Gostou muito do tambaqui e do cupuaçu “diferentes do Tocantins”. “Quero voltar na época da pesca, minha outra paixão, para ir aos famosos lagos amazonenses e pegar o tucunaré”, finaliza. Pescar, aliás, foi um dos pedidos que ele fez à Mistral, ao saber que viria a Manaus. A temporada, infelizmente, só inicia por volta da segunda quinzena de agosto.

Vinícius (esquerda) foi ciceroneado por Ivanhoé Mendes (direita), representante da Mistral em Manaus. Os dois estão, na foto, no restaurante Banzeiro