
Foto: Valter Campanato/Agência Brasil
O novo Boletim InfoGripe da Fiocruz, divulgado nesta quinta-feira (20/2), mantém o alerta da última edição, que aponta tendência de aumento de casos de Síndrome Respiratória Aguda Grave (SRAG), em todo o País, entre crianças e adolescentes de até 14 anos, com destaque para o Distrito Federal e Goiás, onde esse crescimento nessa faixa etária atinge incidências de alta a moderada.
A análise reforça que o crescimento coincide com o retorno às aulas. Segundo o estudo, nas crianças pequenas, de até dois anos, essas ocorrências estão associadas principalmente ao Virus Sincicial Respiratório (VSR). A análise é referente à Semana Epidemiológica (SE) 14, período de 9 a 15 de fevereiro.
“Na faixa etária de crianças e adolescentes, onde a gente tem observado aumento de SRAG desde a semana passada, de modo geral, o crescimento de casos de SRAG está relacionado a volta às aulas, quando as crianças passam mais tempo em ambientes fechados e em maior contato, favorecendo a transmissão dos vírus respiratórios”, esclarece a pesquisadora do Programa de Computação Científica da Fiocruz e do Boletim InfoGripe, Tatiana Portella.
A SRAG abrange casos de síndrome gripal que evoluem com comprometimento da função respiratória. Entre os vírus respiratórios que levam à SRAG, predominam os da influenza A e B, o VSR e a Sars-CoV-2 (Covid-19), entre outros agentes.
“Em relação às recomendações, no caso das crianças e adolescentes, a gente recomenda que os pais ou cuidadores que evitem levar as crianças para a escola, caso elas apresentem algum sintoma de síndrome gripal. Se não for possível fazer esse isolamento com a criança e não tiver ninguém que possa cuidar dela dentro de casa até ela se recuperar, a gente recomenda que a criança ou adolescente vá para escola usando uma boa máscara, se for possível”, ressalta a pesquisadora.
Em relação aos idosos, diante desse quadro de aumento de casos de Covid-19 em algumas regiões do país, a especialista reforça a importância da vacinação contra o vírus, especialmente para as pessoas dos grupos prioritários, que precisam se vacinar todo ano ou até mesmo a cada seis meses, no caso dos idosos. “O uso de máscara é recomendado também para as pessoas que moram nos estados que apresentam aumento de casos de SRAG. A recomendação é usar máscaras principalmente em locais fechados, com maior aglomeração de pessoas, e também dentro dos postos de saúde”, diz.
No agregado nacional, há sinal aumento de SRAG nas tendências de longo prazo (últimas seis semanas) e de curto prazo (últimas três semanas). Sete das 27 unidades federativas apresentam nível de atividade de SRAG em alerta ou risco até a SE 7: Amazonas, Distrito Federal, Goiás, Rondônia, Roraima, Sergipe e Tocantins. Dentre essas UFs, quatro também sinalizam crescimento de SRAG. São elas Distrito Federal, Goiás, Sergipe e Tocantins.
A manutenção do aumento de casos de SRAG entre idosos, com sinais característicos de Covid-19, foi verificada nos estados das regiões do Norte e Centro-Oeste do país (Mato Grosso, Rondônia e Tocantins) além de Sergipe. No Tocantins, o crescimento também ocorre entre a população de jovens e adultos. Já em outros estados do Norte (Amapá, Pará e Maranhão), as ocorrências de SRAG associados à Covid-19 seguem em desaceleração ou em início de queda. No Distrito Federal e em Goiás, o crescimento de casos de SRAG se mantém entre crianças e adolescentes de até 14 anos.
A atualização aponta que oito das 27 capitais sinalizam nível de atividade de SRAG em alerta, risco ou alto risco, nas últimas duas semanas, até a semana 07- Aracaju (SE), Belo Horizonte (MG), Brasília (DF), Cuiabá (MT), Goiânia (GO), Palmas (TO), Teresina (PI) e Porto Velho (RO). Entre elas, sete apresentam de crescimento de SRAG: Aracaju (SE), Belo Horizonte (MG), Brasília (DF), Cuiabá (MT), Goiânia (GO), Palmas (TO), Teresina (PI).
Referente ao ano epidemiológico 2025, já foram notificados 11.037 casos de SRAG, sendo 3.721 (33,7%) com resultado laboratorial positivo para algum vírus respiratório, 4.091 (44,4%) negativos, e ao menos 1.573 (14,3%) aguardando resultado laboratorial. Entre os casos positivos do ano corrente, observou-se 6,6% para influenza A; 3% para influenza B; 12,4% para VSR; 20,2% para rinovírus; e 50,2% para Sars-CoV-2 (Covid-19)). Nas quatro últimas semanas epidemiológicas, a prevalência entre os casos positivos foi de 7% para influenza A; 2,1% para influenza B; 14,7% para VSR; 19,5% para rinovírus; e 50.6% para Sars-CoV-2 (Covid-19).
Agência Gov