20/JUN 2026
Jornalista responsável: Marcos Santos

Dengue: Brasil bate recorde de casos e tem desafios para conter vírus em 2025

Publicado em 05 de janeiro, 2025

Dengue: Brasil bate recorde de casos e tem desafios para conter vírus em 2025

Com recorde de casos no Brasil e no Distrito Federal em 2024, a dengue volta a preocupar autoridades sanitárias por conta do ressurgimento do sorotipo 3 e da sazonalidade da doença, que tem seu auge entre os meses de outubro e maio, sendo que em janeiro, historicamente, há um salto no número de casos.

Dados do Painel de Monitoramento de Arboviroses do Ministério da Saúde indicam que o Brasil registrou, de 1º de janeiro a 28 de dezembro, um total de 6.652.053 casos prováveis de dengue e 6.022 mortes provocadas pela doença. Há ainda 902 mortes em investigação.

A maioria dos casos prováveis de dengue (55%) em 2024 foi identificada entre mulheres. No recorte raça/cor, 41,7% dos casos prováveis foram registrados entre brancos; 35% entre pardos; 5,1% entre pretos; 1,1% entre amarelos; e 0,2% entre indígenas. Em 16,9% dos casos, a informação não foi registrada.

A faixa etária dos 20 aos 29 anos concentrou a maior parte dos casos prováveis, seguida pela de 30 a 39 anos e pela de 40 a 49 anos. A quantidade de mortos no Brasil por dengue em 2024 é maior que a soma das mortes pela doença nos 7 anos anteriores.

Fiocruz

De acordo com a Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), desde 2023 o sorotipo 3 da dengue, responsável pela epidemia da primeira década dos anos 2000, voltou a ser notificado.

“Por não estar em circulação há tanto tempo, o número de pessoas suscetíveis a esse sorotipo é elevado”, informou a fundação, por meio de nota, ressaltando que, até agora, ainda prevalecem no país os sorotipos 1 e 2, responsáveis pela epidemia de 2024.

Soropositivo

No Distrito Federal, a Secretaria de Saúde disse que o fato de o sorotipo 3 estar ganhando espaço em outras unidades da federação é um fator preocupante, que precisa ser monitorado, apesar de ter sido notificado apenas um caso em 2022. Este ano, a capital do país registrou o maior número de casos de dengue e de mortes pela doença de sua história.

Foram registrados 11.704 casos de dengue com sinais de alarme, um aumento de 2.079,51% em relação ao ano anterior, que registrou 537 vítimas alarmantes. Os casos graves chegaram a 508, marcando um acréscimo de 1.932%. Até 14 de dezembro, 440 óbitos por dengue haviam sido confirmados, enquanto três ainda estão sob investigação.

Walter Ramalho, professor de epidemiologia da Universidade de Brasília (UnB), explicou que, no DF, as cepas 1 e 2 predominaram durante a última epidemia. “Com isso, as pessoas estão menos suscetíveis a elas, fazendo com que o sorotipo 3 fique em uma situação predominante para 2025”, analisou.

Reinfecção

Além do risco de avanço do sorotipo 3 nos próximos meses, existe ainda o perigo de reinfecção e, no DF, foram muitos os casos de pessoas doentes. O infectologista Leandro Machado explica que a reinfecção por dengue ocorre quando uma pessoa que já teve a doença é contaminada por um dos outros três sorotipos do vírus (DEN-1, DEN-2, DEN-3 ou DEN-4).

A situação, segundo o especialista, é mais perigosa devido a um fenômeno conhecido como aumento dependente de anticorpos (ADE, do inglês antibody-dependent enhancement).

Reinfecção

“Na reinfecção, os anticorpos gerados contra o primeiro sorotipo podem não neutralizar o novo sorotipo e, paradoxalmente, facilitar a entrada do vírus nas células, aumentando a carga viral e a resposta inflamatória do organismo. Esse processo eleva o risco de formas graves da doença, como a dengue grave (antiga dengue hemorrágica) e a síndrome do choque da dengue, condições que podem provocar hemorragias, falência de órgãos e, em casos extremos, levar ao óbito”, afirmou Machado.

Ele alerta que mesmo aqueles que já tiveram dengue anteriormente devem redobrar os cuidados para evitar novas infecções. “Medidas como o uso de repelentes, a eliminação de criadouros do mosquito Aedes aegypti, a proteção contra picadas e a vacinação são essenciais”, reforçou.

Sintomas

A infectologista Joana D’arc Gonçalves detalha que a maioria das pessoas que se infectam com um dos sorotipos da dengue podem desenvolver sinais e sintomas leves ou até imperceptíveis. Contudo, em infecções futuras por outro sorotipo, esses anticorpos acabam tendo um papel de amplificação da infecção, não protegem contra as outras cepas e, ao contrário do esperado, além de não protegerem, ajudam o vírus a infectar novas células e a se replicar.

“A própria imunidade do indivíduo, com anticorpos que não neutralizam a doença, piora o quadro com uma resposta inflamatória severa, pois as células de memória formadas na primeira infecção são reativadas de forma mais intensa e robusta, porém, sem conseguir eliminar o vírus”, explicou.

Vacina

O esquema vacinal ocorre em duas doses, com um intervalo de 90 dias entre elas. Mas se a pessoa foi diagnósticada com dengue, é preciso esperar seis meses para começar a vacinação. Segundo a Secretaria de Saúde, a imunização não é indicada para indivíduos com imunodeficiência congênita ou adquirida, incluindo aqueles em terapias imunossupressoras, com infecção por HIV sintomática ou com evidência de função imunológica comprometida, e pessoas com hipersensibilidade às substâncias listadas na bula, além de mulheres gestantes ou em fase de amamentação.

Os sinais de alarme da dengue são:

-Dor abdominal intensa e contínua;

-Vômitos persistentes;

-Acumulação de líquidos em cavidades corporais;

-Sangramento de mucosas ou outra hemorragia;

-Aumento progressivo do hematócrito;

-Queda abrupta das plaquetas;

-Respiração ofegante;

-Fadiga;

-Desidratação e sensação de boca seca;

-Pele pálida.

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