Roraima está sob a ameaça de um colapso no abastecimento de energia, caso a presidente da Funai, Joenia Wapichana, assine uma portaria de restrição de uso nos municípios de Silves e Itapiranga, no Amazonas. O gás natural de Silves abastece a usina termelétrica Jaguatirica II, responsável por 70% da energia de Roraima, que não é interligada ao Sistema Integrado Nacional.
O Ministério Público Federal (MPF) recomendou a interdição de áreas nos dois municípios amazonenses e nas rodovias AM-330 e AM-363. Nessa área fica o Complexo do Azulão, da Eneva, que extrai gás natural essenciais para a usina Jaguatirica II. Sem o gás natural dessas áreas, há um grande risco de um apagão generalizado que afetaria mais de 600 mil pessoas.
A recomendação do MPF deve-se a suposta existência de indígenas isolados na região do Igarapé do Caribi, entre Silves e Itapiranga, baseada em relatos de ONGs e uma fotografia feita por um membro da Comissão Pastoral da Terra (CPT) em 2023. No entanto, uma análise pericial realizada pelo perito forense Allan Reis apontou manipulações na imagem. A Funai também já fez uma expedição de reconhecimento e localização, entre os meses de março e abril de 2024, e não constatou a presença de povos isolados.
A decisão de Wapichana, que é natural de Roraima, pode mergulhar seu estado de origem em uma crise energética e comprometer a situação financeira de municípios amazonenses, causando um grande impacto econômico e social.