03/JUL 2026
Jornalista responsável: Marcos Santos

PF prende servidores e empresários por ‘mesadas’ em garimpos ilegais de ouro na Amazônia

Publicado em 28 de novembro, 2024

PF prende servidores e empresários por 'mesadas' em garimpos ilegais de ouro na Amazônia

Durante a operação, a PF confiscou oito carros de luxo, joias, celulares e uma quantidade ainda não contabilizada de ouro e dinheiro. (Foto: Divulgação/PF)

A Polícia Federal deflagrou nesta quinta-feira (28) a operação “Cobiça”, que resultou na prisão de dois servidores públicos e dois empresários envolvidos em atividades ilegais de garimpo na região do Tapajós, oeste do Pará. As ações incluíram o cumprimento de 21 mandados de busca e apreensão, quatro de prisão, sequestro de bens e medidas cautelares de afastamento de função pública.

Os mandados foram executados nas cidades de Santarém, Itaituba, Altamira, no Pará, além de Rio de Janeiro e Goiânia. A investigação revelou que os servidores públicos faziam parte de uma organização criminosa que facilitava a cadeia produtiva de ouro extraído ilegalmente, incluindo áreas de terras indígenas e reservas legais.

De acordo com a PF, há fortes indícios de que o ouro comercializado pela organização tenha origem em garimpos na Terra Indígena Munduruku, uma das mais devastadas por crimes ambientais e atualmente alvo de uma grande operação de desintrusão.

“Mesada” para facilitar o crime

Os servidores públicos investigados teriam recebido pagamentos regulares de empresas e indivíduos ligados à comercialização ilegal de ouro. Um deles teria recebido R$ 4 mil mensais para não interferir nas atividades ilícitas, enquanto outros dividiam cerca de R$ 10 mil mensais, usando até materiais institucionais durante o expediente para atender às demandas das empresas criminosas.

Durante a operação, a PF confiscou oito carros de luxo, joias, celulares e uma quantidade ainda não contabilizada de ouro e dinheiro. Entre os presos está um empresário com histórico de condenações por tráfico de drogas, tentativa de homicídio, receptação, uso de documento falso e associação para o tráfico.

Os envolvidos responderão por lavagem de dinheiro, usurpação de bens da União e organização criminosa. A PF destacou que as investigações continuam para identificar outros membros da rede criminosa e garantir a recuperação de bens e recursos obtidos ilegalmente.

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