10/JUN 2026
Jornalista responsável: Marcos Santos

Waldery fala sobre política, Maria do Carmo, Fametro e Ciesa. Veja a entrevista

Publicado em 24 de outubro, 2024

Waldery fala sobre política

Waldery fala sobre política, pela primeira vez de forma aberta, pública e direta, atacando a chapa do deputado federal Alberto Neto. Foto: Divulgação/ Ciesa

O empresário Waldery Areosa Ferreira, 73, decidiu entrar na campanha para prefeito de Manaus. Ex-proprietário do Uninorte, atual dono da Século e do Ciesa, além do hotel Uiara, Waldery fala sobre política pela primeira vez, em muitos anos de vida empresarial, com declaração de voto: “Sou de direita, mas não voto no Capitão Alberto Neto por causa da vice”, afirmou. Referia-se à reitora do Centro Universitário Fametro, Maria do Carmo, que é candidata a vice-prefeita. Nesta entrevista, Waldery explica as razões da decisão, cujas raízes o levaram a comprar o Centro Universitário de Ensino Superior do Amazonas (Ciesa): “Ela é uma impostora”. É mais uma demonstração de que a direita se sente livre para votar no domingo, para prefeito de Manaus.

Waldery decidiu explicar em detalhes a razão do voto e acaba revelando meandros do ensino no Amazonas, que, normalmente, passam despercebidos do grande público. Veja a íntegra da entrevista:

 

Portal do Marcos Santos – O senhor nunca havia entrado, publicamente, numa campanha política. O que aconteceu agora?

Waldery Areosa Ferreira – Quem me conhece sabe que sempre participo do processo político. Não consigo ficar distante de algo que diz respeito, tão de perto, ao dia-dia cidadão. O que houve de diferente, desta vez, é que fiz uma manifestação pública, no lugar de trabalhar nos bastidores.

 

PMS.AM – Foi uma manifestação e tanto. Não lhe parece que seu gesto, de não votar no candidato Alberto Neto por causa da reitora do Fametro, Maria do Carmo, pode parecer briga de concorrência?

Waldery – Só quem desconhece os bastidores do Ensino Superior no Amazonas pode ter uma ideia dessas. A Fametro não é concorrente do Ciesa, que eu adquiri. Nós não compartilhamos princípios – coisa que eles não têm – e nossas diferenças são muito claras. Diferente deles, temos prédios modernos e mobiliário respeitoso para com os alunos, que ficarão horas e horas nas nossas salas. Nada de “carteira de aula”, nós temos poltronas. Utilizamos telões, no lugar do ultrapassado quadro negro. Quando um professor decide explicar a geopolítica do Oriente Médio, aos seus alunos, tem à disposição, na tela, mapas atualizados da região.

 

“Pagamos R$ 100 pela hora/aula aos nossos professores, que são apenas mestres e doutores, enquanto eles pagam R$ 35.”

 

PMS.AM – Se não é um ataque à concorrência, então, qual a razão do seu posicionamento?

Waldery – Ela é uma impostora. Se eu não soubesse o que sei da atividade empresarial dela, os últimos fatos falariam por si. Todo mundo sabe que ela é caloteira, que não paga as contas. Salários de professores atrasam rotineiramente. Contas de condomínio, IPTU etc., ela só permite que sejam pagas quando dá na telha. Uma mulher que reúne com funcionários e terceiros para falar de Caixa 2, com a naturalidade dela, não pode ser normal. Ela contaminou, irremediavelmente, a chapa do Alberto Neto. Se eu fosse ele, aliás, ficaria com a pulga atrás da orelha, quando ela diz “em dois anos quero ser prefeita”. Ora, não haverá eleição para o cargo e ela só pode chegar lá se for por renúncia, deposição ou morte dele. Quando os dois andam agarrados, pra cima e pra baixo, pedindo voto, é uma demonstração de que ele não está nem aí para a opinião pública. Se é assim agora, quando ele é apenas candidato, imagine se chegasse a ser prefeito.

 

“Quando os dois andam agarrados, pra cima e pra baixo, pedindo voto, é uma demonstração de que ele não está nem aí para a opinião pública. Se é assim agora, quando ele é apenas candidato, imagine se chegasse a ser prefeito.”

 

PMS.AM – O senhor, hoje, é um aliado do prefeito David Almeida?

Waldery – Não. Não tenho nenhuma relação com ele, pessoal ou de negócios. Mas o David tem agido “fora da caixinha”. Há quanto tempo não se inaugurava prédio novo no Centro de Manaus? Esse mirante, o Largo de São Vicente e o Pier, que ele construiu, são iniciativas muito boas. Qual prefeito, em toda a história de Manaus, fez algo pela Zona Leste, hoje a segunda mais populosa da capital? O manauara que mora lá ou na Zona Norte precisa atravessar a cidade e ir para a Ponta Negra se quiser se divertir. David está construindo a primeira obra do Oscar Niemeyer no Norte brasileiro, no Mirante Encontro das Águas. E fez o Parque Gigantes da Floresta, contra tudo e contra todos, num conjunto de obras que eliminam a Feira do Mutirão, um lugar muito ruim, do ponto de vista sanitário, e oferecem sim uma alternativa para o lazer da população daquela área. Pelo que soube, o parque vive lotado. Deu certo.

 

“Qual prefeito, em toda a história de Manaus, fez algo pela Zona Leste, hoje a segunda mais populosa da capital? O manauara que mora lá ou na Zona Norte precisa atravessar a cidade e ir para a Ponta Negra se quiser se divertir. David está construindo a primeira obra do Oscar Niemeyer no Norte brasileiro, no Mirante Encontro das Águas. E fez o Parque Gigantes da Floresta.”

 

PMS.AM – O senhor falou de diversas melhorias, que seriam diferenciais do Ciesa para o Fametro. São melhorias também em relação ao antigo Uninorte, quando o senhor vendeu?

Waldery – Certamente. A educação tem que evoluir com o tempo. No Século, nossa escola do Ensino Fundamental ao Ensino Médio, não temos quadro negro desde a fundação, há dez anos. Um menino ou uma menina de seis a sete anos sobe no palco e faz discurso, apresenta suas ideias com clareza, sabe o que dizer. Uma menina de nove anos pegou a bateria e deu um show, na primeira vez, e hoje é a baterista oficial da banda do colégio. A escola moderna tem que se adaptar ao aluno e não trabalhar engessada, represando talentos, atrasando o desenvolvimento individual e do País. Acredito muito na geração que vem por aí e o Ciesa também está sendo preparado para contribuir com ela.

 

“A escola moderna tem que se adaptar ao aluno e não trabalhar engessada, represando talentos, atrasando o desenvolvimento individual e do País.”

 

PMS.AM – Telões e poltronas são uma mudança significativa, mas, do ponto de vista educacional, propriamente dito, que novidade o Ciesa apresenta?

Waldery – Estamos em vias de oferecer um curso de seis anos, no qual o aluno sairá com três certificações de nível superior: Administração, Economia e Comércio Exterior. Nosso aluno, que entrar aos 16, 17 anos, nesse curso, sairá pronto para um mercado de trabalho cada vez mais exigente e múltiplo. Estamos preparados para a “aula inversa”, na qual o aluno mostra o que sabe, dentro da grade curricular, e o professor abre caminho para o que ele não sabe. O professor vira um mediador, um auxiliar, mas a iniciativa é do aluno. Iniciativa é um produto precioso no mundo de hoje, seja na carreira empresarial ou de profissional liberal. Um médico pode ser muito bom no que faz, mas com tino empresarial terá muito mais chances, num mercado cada vez mais concorrido.

 

“Estamos em vias de oferecer um curso de seis anos, no qual o aluno sairá com três certificações de nível superior: Administração, Economia e Comércio Exterior.”

 

PMS.AM – É aí que se torna ainda maior a exigência de princípios éticos, caráter, sinceridade de propósitos… Como é que esses valores entram nesse cardápio de novidades da sua nova faculdade?

Waldery – É a direita que luta por esses princípios que eu defendo. Não faço escola que se contraponha a isso ou queira impor conhecimento. Quero oferecer ao aluno a chance de uma escolha individual embasada, culta, ampla, moderna. Mas como posso defender esses princípios ficando calado diante da desfaçatez de alguém como a candidata a vice do Alberto Neto? Alguém que cresceu à sombra do dinheiro público e entra na política com uma ambição desse tamanho, não pode ser tolerada. Veja bem, ela foi candidata a suplente do Arthur Virgílio, depois a prefeita. Quando viu que a candidatura dela não teria a menor chance de prosperar, pulou no barco do Alberto Neto, tentando pegar carona. É uma aproveitadora.

 

“Veja bem, ela foi candidata a suplente do Arthur Virgílio, depois a prefeita. Quando viu que a candidatura dela não teria a menor chance de prosperar, pulou no barco do Alberto Neto, tentando pegar carona. É uma aproveitadora.”

 

PMS.AM – O grupo empresarial Fametro, por outro lado, adquiriu a Santa Casa de Misericórdia e o Tropical Hotel, prédios importantes e caros. Como o senhor explica que, com tantos problemas, a empresa tenha conseguido esse feito?

Waldery – Eles é que precisam explicar, para a Receita Federal, de onde tiraram o dinheiro. Essas compras, superiores a R$ 100 milhões, mais as obras necessárias à recuperação dos prédios, feitas por um Centro Universitário que não paga salários, com uma reitora que não paga IPTU, nem condomínio, são um escárnio. Mas eles fazem isso, não pagam condomínio e estacionam carrões de luxo nas garagens. O eleitor deve ficar muito atento a esse tipo de gente. Você já parou para pensar que ela, caso se elegesse, se tornaria uma das gestoras do IPTU, aquele imposto que ela não paga? Seria a raposa tomando conta do galinheiro. É do interesse público evitar essa calamidade.

 

“Você já parou para pensar que ela, caso se elegesse, se tornaria uma das gestoras do IPTU, aquele imposto que ela não paga? Seria a raposa tomando conta do galinheiro. É do interesse público evitar essa calamidade.”

 

PMS.AM – O senhor, ao se manifestar sobre esse momento político, tão próximo do 2º Turno, tem sido lembrado das acusações de pedofilia, que o levaram a um rumoroso processo. Que explicação o senhor tem sobre isso?

Waldery – Primeiro é preciso que todos saibam que fui absolvido. Estou totalmente livre disso. Tenho, aliás, 73 anos de idade. Poderia, muito bem, abrir mão de tudo e me aposentar. Mas, antes, ainda tenho que desmascarar esses falsos mágicos do dinheiro dos outros. Depois, no mérito das acusações que me fizeram, há, no bojo dos áudios usados como prova contra mim, uma pessoa dizendo que não me envolvo com menor. E, do outro lado, uma menor afirmando ter Carteira de Identidade falsa para me enganar. Coisas como essas é que levaram a Justiça a me absolver. Manaus e o Amazonas entendem melhor, a partir do meu caso, como reputações sérias são jogadas no lixo, enquanto falsos “empresários de sucesso” tentam se dar bem enganando clientes. Não haverá uma reação de rebanho, no domingo. Manaus tem um povo inteligente e que vai dizer não a essa enganadora e ao candidato que considera normal tudo que ela faz de errado.

“É preciso que todos saibam que fui absolvido. Estou totalmente livre disso. Tenho, aliás, 73 anos de idade. Poderia, muito bem, abrir mão de tudo e me aposentar. Mas, antes, ainda tenho que desmascarar esses falsos mágicos do dinheiro dos outros.”

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