
Foto: Divulgação
A vibração dos saxofones e o som eletrizante das guitarras vão dar o tom e fazer o público dançar acelerado nesta quinta-feira (3/10), para comemorar o Dia Estadual do Beiradão, no Largo de São Sebastião, Centro de Manaus. A data, instituída por lei em março deste ano, será pela primeira vez celebrada com apresentações musicais dedicadas ao ritmo eternizado por nomes como Teixeira de Manaus, Chico Cajú, Oseas, Magalhães e outros.
O espetáculo tem entrada gratuita e inicia às 18h30. As participações incluem Roberto Rios, Hadail Mesquita, Márcia Novo, Lico Magalhães, Rafael Ângelo, Valério do Sax, Marcos Moreno, Ivan da Guitarra, Billy Marcelo e Chicão do Sax. “São vários artistas unidos em prol desse movimento cultural. O público pode esperar muita diversão”, diz Lico Magalhães.
O Dia Estadual do Beiradão é 3 de outubro em referência à data de aniversário de Chico Cajú, um dos mestres deste movimento musical.
“Nos últimos meses de vida do Chico Cajú, a última composição dele foi feita junto comigo e justamente o nome da música é Dia do Beiradão. Mostrei a música para o jornalista Paulo Moura e a gente conversando sobre cultura pensamos: por que não? Chegamos para vários beiradeiros, escrevemos uma carta e o Paulo, por meio de suas articulações culturais, nós fizemos esse pedido de valorização desse ritmo popular”, explicou Hadail Mesquita.
O Beiradão já é considerado patrimônio cultural imaterial amazonense desde setembro de 2023 através da Lei estadual nº 6.448 da Assembleia Legislativa do Amazonas (Aleam). O Dia Estadual do Beiradão foi instituído em março deste ano por outra lei estadual aprovada na Aleam, a nº 6.797, que incluiu a data no calendário oficial de eventos culturais do estado. As duas legislações foram propostas do deputado Sinésio Campos (PT).
O evento comemorativo no Largo São Sebastião é organizado por um conjunto de artistas e fazedores de cultura envolvidos com o movimento do Beiradão, dentre instrumentistas, cantores, produtores culturais e audiovisuais. O apoio é da Secretaria de Cultura e Economia Criativa (SEC) e do Ministério da Cultura (MinC).
“A gente vai comemorar pela primeira vez o Dia do Beiradão, que é o dia do aniversário do Chico Cajú. Assim como o boi-bumbá, o Beiradão faz parte da identidade musical do Amazonas. Faltava uma data oficial para se comemorar e graças a esse movimento bonito a gente está conseguindo ganhar um espaço importante de reconhecimento dessa sonoridade. A ideia é fazer o povo se divertir dançando o Beiradão e escutando o nosso som do interior, das beiradas e ribanceiras. Não percam”, convida a cantora Márcia Novo.
Surgido em meados dos anos 1970 a partir de grupos musicais que viajavam de barco para fazer apresentações nas festividades religiosas das igrejas à beira dos rios, nas comunidades ribeirinhas, o ritmo do Beiradão estourou na década de 1980. Consolidou-se como uma das maiores expressões musicais do Amazonas.
Antes sinônimo das festas, o nome “Beiradão” passou a identificar o ritmo em si, isto é, toda a produção musical em torno do som acelerado conduzido pelas guitarras e pelos saxofones e sob influência da lambada e de outras vertentes latinas como a salsa, o merengue, o calypso, a cúmbia e o zouk – até ganhar projeção nacional com o saxofonista Teixeira de Manaus, falecido em janeiro deste ano.
Festival de música “Dia do Beiradão”
Quando: 3 de outubro, quinta-feira, a partir das 18h30
Onde: Largo São Sebastião, Centro de Manaus