14/JUL 2026
Jornalista responsável: Marcos Santos

Ramagem depõe à PF sobre suposta espionagem ilegal na Abin nesta quarta (17)

Publicado em 17 de julho, 2024

Investigadores querem esclarecer se existe envolvimento do atual comando da agência com os possíveis operadores do esquema. (Foto: Reprodução)

O ex-diretor da Agência Brasileira de Inteligência (Abin) e atual deputado federal, Alexandre Ramagem (PL-RJ), prestou depoimento nesta quarta-feira (17) na Superintendência Regional da Polícia Federal no Rio de Janeiro. Ramagem é investigado por suposto envolvimento em um esquema de espionagem ilegal contra autoridades enquanto estava à frente da Abin.

A investigação busca esclarecer se há conexão entre o atual comando da Abin e os operadores do esquema, especialmente antigos integrantes da agência que produziram relatórios contra o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Alexandre de Moraes.

Além disso, Ramagem deve ser questionado sobre novas informações divulgadas pela operação da Polícia Federal que prendeu preventivamente cinco pessoas supostamente envolvidas no esquema na última quinta-feira (12).

Segundo o relatório enviado ao STF, que autorizou as medidas judiciais, policiais federais que atuavam na Abin sob a direção de Ramagem utilizaram ferramentas da agência para serviços ilícitos e interferência em diversas investigações da Polícia Federal, incluindo uma envolvendo Renan Bolsonaro, filho do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL).

O relatório destaca que as ações de inteligência realizadas não deveriam deixar rastros, sugerindo a instrumentalização da Abin para proveito pessoal, com o objetivo de beneficiar Renan Bolsonaro.

Ramagem se manifestou nas redes sociais, negando qualquer interferência em processos vinculados ao senador Flávio Bolsonaro e defendendo que as demandas foram resolvidas exclusivamente em instância judicial. Ele criticou as prisões realizadas pela operação, mencionando que a Procuradoria-Geral da República (PGR) não foi favorável às detenções.

A investigação sobre o uso irregular de um sistema da Abin para monitorar autoridades brasileiras, jornalistas e advogados começou em 2023. O programa “First Mile”, adquirido por cerca de R$ 5 milhões, permitia o monitoramento de milhares de pessoas, com cerca de 60 mil acessos em dois anos e meio. Para acionar o sistema de geolocalização, bastava digitar o número do celular, criando históricos de deslocamento e alertas em tempo real.

Entre os monitorados ilegalmente estavam os ministros do STF, Gilmar Mendes e Alexandre de Moraes, e o ex-presidente da Câmara dos Deputados, Rodrigo Maia. A operação Última Milha da Polícia Federal investiga o suposto uso ilegal da estrutura da Abin para espionagem de adversários políticos da família Bolsonaro, com o esquema operando sob a gestão de Ramagem.

 Outras fases

A operação Última Milha, iniciada em janeiro deste ano, cumpriu nove mandados de busca e apreensão em diversas localidades, incluindo Rio de Janeiro, Angra dos Reis, Brasília, Formosa (GO) e Salvador.

Mensagens indicam que o núcleo político do esquema possivelmente utilizava Ramagem para obter informações sigilosas. Em janeiro, Ramagem foi alvo de buscas e apreensões em seu gabinete na Câmara dos Deputados e em seu apartamento funcional em Brasília. Investigações apontaram que Ramagem continuou recebendo informações da Abin mesmo após deixar o comando do órgão.

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