17/JUL 2026
Jornalista responsável: Marcos Santos

Cineteatro Guarany exibe ‘A arte de Adanilo no cinema’, mostra formada por cinco curtas-metragens

Publicado em 28 de março, 2024

O curta “Aquela Estrada” é escrito e dirigido por Rafael Ramos. Foto: Divulgação

Neste sábado (30/03), obras cinematográficas do ator amazonense Adanilo estarão em cartaz no Cineclube de Artes, na mostra “A arte de Adanilo no cinema”, em exibição a partir das 19h, no Cineteatro Guarany (avenida Sete de Setembro, anexo ao Palácio Rio Negro, Centro de Manaus). Dos cinco curtas-metragens exibidos, dois são escritos e dirigidos pelo ator de projeção internacional. A entrada é gratuita e a classificação indicativa é de 16 anos.

Promovido pelo Governo do Estado, por meio da Secretaria de Cultura e Economia Criativa, o Cineclube e Artes é um projeto que proporciona visibilidade ao audiovisual e aos artistas amazonenses atuantes no segmento.

O curta “A menina do guarda-chuva” (2014) abre a mostra “A arte de Adanilo no cinema”. A obra foi a primeira atuação de Adanilo no audiovisual, culminando com o primeiro trabalho da Artupre Produções, companhia fundada por ele em parceria com outros profissionais. “’A menina do guarda-chuva’ foi o primeiro filme que a gente conseguiu se firmar tanto como produtora, quanto produtora de arte, produtora de cinema”, disse. O roteiro e direção é de Rafael Ramos.

Na sequência, “Aquela Estrada” (2016), também assinado pela Artrupe, escrito e dirigido por Rafael Ramos. “É um filme diferente do primeiro, é mais alternativo, por assim dizer, já se experimenta mais, já não conta uma historinha tão simples”, acrescenta Adanilo.

O terceiro filme, “O Tempo Passa” (2016), é o resultado de políticas públicas culturais, contemplado com recursos de editais municipais e estaduais. “Foi muito importante para a minha carreira, inclusive, porque com esse portfólio consegui acessar outras vias de produção no Rio de Janeiro, principalmente”, ele recorda. “É um filme que, inicialmente, eu escrevi o roteiro. Depois transferi para o Diego Bauer, que foi quem dirigiu também. É um filme que se passa na Compensa, e tem essa proximidade com o bairro onde eu nasci e me criei”.

Cena do curta “A menina do guarda-chuva”. Foto: Divulgação

Videoperformance

Também será exibida a obra “521 Anos – Siia Ara” (2021), uma videoperformance com atuação, roteiro e direção de Adanilo. A convite da companhia de teatro amazonense Ateliê 23, o ator participou da mostra Raça, Gênero e Sexualidade. “Eu construí essa obra que fala sobre o coma colonial, o quanto nós brasileiros de maneira geral estamos adormecidos com os temas da colonização. E a oportunidade que a gente tem para despertar nossos olhares, enxergar nossas identidades e retomar nossa cultura, nossas tradições”.

Encerrando o sábado, “Castanho” (2023), curta-metragem escrito e dirigido pelo amazonense, segue um modelo de ficção. O trabalho ganhou grande repercussão, participando de vários festivais, como o Festival de Cinema do Rio, o Festival Curta Kinoforum, em São Paulo, e estreou no Festival de Cinema Olhar do Norte, em Manaus. “Foi a primeira vez que experimentei escrevendo e dirigindo, sem participar (atuando) nem nada. O elenco é composto pela Sofia Sahakian, Rosa Malagueta e Israel Castro”, finaliza Adanilo.

Carreira

Indígena, manauara, ator, dramaturgo e diretor, Adanilo atuou nos filmes “Marighella”, de Wagner Moura; “Noites Alienígenas”, de Sérgio de Carvalho; “Eureka”, de Lisandro Alonso; “Oeste Outra Vez”, de Erico Rassi; “O Rio do Desejo”, de Sérgio Machado, e “Ricos de Amor 2”, de Bruno Garotti

Na televisão, participou da novela “Renascer” e também das séries “Segunda Chamada”, da Globo, dirigida por Joana Jabace; “Dom”, da Prime Video, dirigida por Breno Silveira; “Cidade Invisível”, série original Netflix comandada por Carlos Saldanha, e “Um Dia Qualquer”, direção de Pedro Von Kruger para o streaming HBO+.

Como diretor, Adanilo comandou os curtas “Castanho”, “521 Anos | Siia Ara”, e os espetáculos de teatro “Bicho Doido” e “Primeiro Quarto”. Já na função de dramaturgo, Adanilo publicou textos nos livros “Outras Dramaturgias”, “Amazonas Dramaturgias” e foi premiado no concurso Jovens Dramaturgos, do Sesc, com a publicação do livro da peça “Bicho Doido”.

Em Manaus, Adanilo foi co-fundador da Artrupe Produções, onde desenvolveu filmes, peças de teatro e eventos culturais diversos, participando de editais e festivais locais e nacionais. Atuou ainda nos grupos Apareceu a Margarida, no Grupo Origem e Cês em Cena.

No Rio de Janeiro, colaborou com a criação da Companhia Casa 407, investigando a linguagem da palhaçaria e do teatro de rua, e fundou o Teatro Galeroso, grupo que investiga as artes cênicas e audiovisuais a partir de uma visão amazônica decolonial.

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