03/JUL 2026
Jornalista responsável: Marcos Santos

Refinaria da Petrobras foi vendida abaixo do preço para árabes na gestão Bolsonaro, aponta CGU

Publicado em 06 de janeiro, 2024

Refinaria da Petrobras foi vendida abaixo do preço para árabes na gestão Bolsonaro, aponta CGU

A Controladoria-Geral da União (CGU) apontou que a venda da Refinaria Landulpho Alves, na Bahia, foi realizada abaixo do preço de mercado pela Petrobras ao fundo Mubadala Capital, empresa de investimentos de Abu Dhabi e que pertence à família real dos Emirados Árabes Unidos. A venda foi feita em 2021 pelo governo Bolsonaro.

Os dados foram obtidos através de um relatório de auditoria realizada pela CGU. Segundo o documento, a venda da refinaria foi realizada por US$ 1,65 bilhão, abaixo do preço, por conta do momento em que o negócio foi concretizado.

Venda

A refinaria foi vendida em novembro de 2021, momento em que a pandemia da Covid-19 estava acontecendo no mundo inteiro, o que, segundo o relatório, foi um péssimo momento para a venda, já que os principais indicadores econômicos que guiam o valor de uma refinaria estavam em queda. Deste modo, o valor da refinaria ficou desvalorizado.

O relatório da CGU aponta que a Petrobras poderia ter esperado a recuperação do petróleo no mercado internacional para realizar a venda da refinaria. “A Petrobras assumiu um risco ao prosseguir com a etapa de propostas vinculantes e manter a fase de negociação no momento de maior turbulência do mercado”, diz o documento.

O relatório também apontou problemas em relação às metodologias, que até então não haviam sido utilizadas para a venda de estatais brasileiras. A CGU disse que, com o cenário incerto, a Petrobras poderia ter aguardado a estabilização do cenário econômico.

Joias

O ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) foi presenteado por integrantes da família real com joias durante seu mandato. O ex-chefe de Estado recebeu um relógio cravejado de pedras preciosas e três esculturas das quais uma de ouro, prata e diamantes.

Em uma publicação no X (antigo Twitter), o ministro da Advocacia-Geral da União (AGU), Jorge Messias, afirmou que pode haver uma conexão entre a venda da refinaria e o recebimento do relógio.

“Importante esclarecer, se há alguma conexão com o episódio das joias, já sob investigação pela Polícia Federal. Na liderança da oposição no Senado, fizemos inúmeras denúncias das inconsistências dessa privatização em claro prejuízo ao patrimônio público e aos consumidores brasileiros”, afirmou Messias.

O ministro da CGU, Vinicius Marques de Carvalho, também se manifestou pela rede social e disse que a auditoria realizada pelo órgão está com a Polícia Federal. “A PF já teve acesso ao relatório, que inclusive já está publicado na página da CGU”, declarou o ministro.

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