
Outubro tem alta de quase 100% em focos de incêndio no AM comparando com 2022: 2.929 até o dia 15. Estado recebeu reforço de brigadistas
Com um total de 17.731 focos de incêndio registrados este ano, o Amazonas, só em outubro, teve uma alta de 94,8% no número de queimadas segundo dados do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe), programa Queimadas. E o aumento será maior, considerando que são contabilizados apenas os 15 primeiros dias do mês, quando foram registrados 2.929 contra 1.503 de todo o mesmo mês em 2022.
Segundo o presidente do Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama), Rodrigo Agostinho, a tendência é que a onda de queimadas no Amazonas continue pelos próximos 30 dias. A ministra do Meio Ambiente, Marina Silva, e outras autoridades da pasta anunciaram na última sexta-feira o reforço de 149 brigadistas federais para auxiliar no combate a incêndios florestais no estado.
Na semana passada, de forma inédita, a capital foi coberta por uma nuvem de fumaça decorrente de fortes queimadas, colocando a capital do Amazonas entre as cidades com uma das piores qualidades de ar do mundo, segundoz monitoramento da plataforma World Air Quality Index.
“Vemos com muita gravidade essa situação e a tendência é continuar por cerca de 30 dias. Se for necessário, vamos fazer remanejamento de brigadistas de um estado para outro”, informou o titular do Ibama.
O número de focos de calor já é um recorde desde o início da série histórica para outubro, mesmo com menos da metade do mês.
Mais uma equipe do Ibama desembarcou em Manaus para reforçar os trabalhos de combate aos incêndios no Amazonas. Com a chegada, agora são 289 especialistas do Ibama e do ICMBio atuando no estado. A equipe trouxe 200 kits de combate a incêndios que serão doados ao Governo do Estado.
De acordo com o diretor do Inpe Givan Sampaio, a previsão é que haja chuvas isoladas no estado nos próximos 30 dias, mas elas “não devem contribuir para reverter o cenário” e seguirão abaixo da média.
Com o reforço de brigadistas anunciado, o número de profissionais envolvidos na operação chega a 289, podendo aumentar ainda mais nos próximos dias. Outra linha de estratégia da pasta é combater o desmatamento no estado — segundo o Ibama, 73,5% dos focos de incêndio no Amazonas entre 2019 e 2023 ocorreram em áreas já desmatadas.
“Não existe fogo natural no Amazonas, ou é feito propositalmente por criminosos ou é por desmatamento. Outro grande fator é a estiagem causada pelo El Niño”, declarou Marina Silva.
Conforme dados do Inpe, 12% dos focos de incêndio ocorreram em Lábrea, uma das cidades campeãs de desmatamento no país. Cidades da Região Metropolitana de Manaus, como Autazes e Careiro também estão com altos registros de incêndios.
Setembro já havia sido um mês muito quente no Amazonas, que enfrenta uma seca extrema que atinge quase toda a região amazônica. A situação levou o governador Wilson Lima a decretar situação de emergência. No mês passado, houve 6991 focos de queimada no estado.
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