09/JUL 2026
Jornalista responsável: Marcos Santos

Aldísio Filgueiras lança livro de poemas sobre Manaus na Academia Amazonense de Letras

Publicado em 11 de outubro, 2023

Aldísio Filgueiras lança livro de poemas sobre Manaus na Academia Amazonense de Letras

Foto: Divulgação

A editora Valer e a Academia Amazonense de Letras (AAL) anunciam o lançamento do livro do poeta, jornalista e membro da AAL, Aldísio Filgueiras. A obra, intitulada ‘Manaus: como se diz, como se vê’, será lançada neste sábado (14), às 10h, na sede da AAL, na rua Ramos Ferreira, 1009, Centro de Manaus.

O livro, nas suas 239 páginas, traz poemas sobre a cidade de Manaus e, segundo Vinicius Alves do Amaral, doutor em História pela Universidade Federal Fluminense (UFF),  Aldisio Filgueiras abriu um caminho em meio ao cipoal de dúvidas e armadilhas, forjando uma expressão inquietante. Uma expressão que é ela mesma prenhe de questões, sonhos e duras verdades. Um caleidoscópio que é pura vertigem, como a sua musa: Manaus.

Ainda segundo o historiador, ‘Manaus: como se diz, como se vê’ aborda muitos temas, mas seu maior mérito está na relação que o autor estabelece entre dois tópicos: a barbárie e o desejo.

“Sim, a barbárie, nossa velha conhecida. Mas ao mesmo tempo há algo de diferente: ela perdeu seu rosto. Não se reconhece mais sua silhueta: é o colonizador ou o importador? Tampouco se sabe seu endereço: será o distrito industrial?”, escreveu.

Em meio ao “campo de estranheza”, o poeta funda uma zona franca (ops!), onde a memória e a imaginação não precisam ser importadas. Nesse sentido, Filgueiras semeia enclaves não só possíveis como necessários.

Para a coordenadora editorial, professora doutora em Filosofia e autora do livro ‘Para aquém e para além de nós’, Neiza Teixeira, Aldisio, sempre incomodado com os acontecimentos, como bom jornalista que é, traz em seus poemas denúncias sobre a capital amazonense que foi negligenciada com fumaça de queimadas e falta de oxigênio, por exemplo.

“O poeta Aldisio Filgueiras tem como a matéria bruta para a sua poesia a cidade de Manaus. A ela o poeta poeteia de forma dura, mas encantada, buscando na sua história os caminhos que lhes foram vetados. Aldisio remove o que foi soterrado pelo tapume da incompreensão e do desconhecimento”, ressaltou Neiza.

Confira alguns poemas:

Querem votos os políticos?
Que se danem! Estão mortos!
Tudo o que fazem é visagem.
Bois, bois, bois de cara preta, quanto querem de gorjeta?
Não guarde nenhum segredo,
Elson, diga às borboletas;
se a lua mingua na chuva,
escancare a janela
e avise aos navegantes,

sem medo de morder a língua
ou quebrar o metro do verso:
“Sim, tenho medo, logo, existo”

“Viúva do português
da esquina, filha do sol
e da chuva, mãe vivente
da humanimaldade
de cinco continentes,

aqui Jaz, sem um ai,
o último seringal
da Amazônia: Manaus.
Jaz de corpo presente,
mas desta vez ao vivo”

Sobre Aldísio Filgueiras

Aldisio Filgueiras é compositor, poeta e jornalista. Nasceu em Manaus, em 1947. Iniciou sua produção poética ainda no curso secundário, feito no Colégio Estadual D. Pedro II, com a participação no Grêmio Literário Mário de Andrade.

Sua estreia literária aconteceu em 1968, com o livro de poemas Estado de sítio, que teve circulação proibida pela censura. Porto de lenha, um dos maiores sucesso da música regional, foi composta por Aldísio em parceria com o compositor Torrinho.

Membro da Academia Amazonense de Letras, ocupa a cadeira de número 7, do patrono Maranhão Sobrinho.

Os livros publicados pela Valer são: Estado de sítio, Nova subúrbios, Dança dos fantasmas, Sábados detonados, Ararinha azul, Cidades do puro nada e Manaus: como se diz como se vê.

Tenório Telles, professor e poeta, escreveu: “Aldisio construiu uma história literária fundada na coerência, no rigor literário e espírito crítico. Sua obra é como um espelho estilhaçado em que se reflete o mundo em seu permanente devir”.

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