05/JUL 2026
Jornalista responsável: Marcos Santos

“Minha filha vai ter um futuro diferente”, diz mãe de menina beneficiada com implante coclear

Publicado em 22 de setembro, 2023

"Minha filha vai ter um futuro diferente”, diz mãe de menina beneficiada com implante coclear

Suyan e Manuela Silva. Foto: Antonio Lima/Secom

Cinco meses após o primeiro implante coclear ser realizado na rede pública de Saúde do Amazonas, os primeiros pacientes que passaram pela cirurgia apresentam avanços na recuperação. Até o momento, 17 procedimentos já foram realizados.

O secretário de Saúde, Anoar Samad, comemorou os resultados positivos dos primeiros pacientes que realizaram o procedimento cirúrgico. “Proporcionar audição para crianças que nasceram com a deficiência auditiva é uma grande emoção. Este é um serviço que continua funcionando. É mais um legado na área da Saúde para a população amazonense”, pontuou o secretário de Saúde.

Silas de Oliveira, de 4 anos, foi o primeiro paciente a passar pela cirurgia na rede pública de Saúde do Amazonas. Desde a ativação do implante coclear, em abril deste ano, ele comparece duas vezes na semana às sessões com a fonoaudióloga para dar continuidade ao tratamento. Mesmo sem ainda ter falado a primeira palavra, Silas já é capaz de reconhecer os sons ao redor. Para a mãe, Roberta de Oliveira, a perspectiva para o futuro do filho agora é outra.

“Por mim, ele pode ser um tagarela, porque eu também sou. Antes, as pessoas falavam que o meu filho não ia falar nada, então, para mim, é uma alegria poder perceber que ele está escutando os sons e vai ser capaz de falar em breve. Quando ele me chamar de ‘mãe’, vou ficar muito feliz. Foi essa palavra que coloquei nos meus sonhos sempre”, disse a mãe do pequeno Silas.

Brincando com o gatinho recém-adotado, apelidado carinhosamente de ‘Miau’, a Manuela Silva, de 4 anos, ainda não tem noção do quanto a vida vai ser diferente para ela. E para a mãe, Suyan Silva, essa consciência traz muitas alegrias. Poucos meses depois da ativação do implante coclear da pequena, em abril deste ano, a primeira palavra veio. Foi “papai”, ao invés do tão sonhado “mamãe” da Suyan, mas para ela é uma vitória há muito tempo esperada.

“É nítido agora que a Manu consegue ouvir. Antes ela não reconhecia nem o próprio nome, mas agora reconhece. Ela ainda não falou ‘mamãe’, mas o importante é que agora ela tem esse avanço e já fala ‘papai’, ‘água’, ‘tchau’ e ‘oi’. Em casa, também faço o estímulo com ela e ensino as vogais, nomes das coisas e o som de cada barulho”, falou a mãe da paciente.

Roberta e Silas de Oliveira. Foto: Antonio Lima/Secom

Procedimento cirúrgico

Os implantes cocleares são indicados para pessoas com perda auditiva neurossensorial severa à profunda. A prioridade para a realização de um implante coclear é para pacientes que nascem com perda total de audição, e que tenham até quatro anos de idade para que seja aproveitada a janela de aquisição de linguagem oral que é desenvolvida neste período da vida.

A cirurgia consiste em uma incisão atrás da orelha para acessar a cóclea, porção da orelha interna responsável pela audição. Por uma pequena abertura, é implantado um feixe de eletrodos junto ao nervo auditivo e fixado um receptor (antena) no crânio do paciente. Como a cóclea não varia de tamanho ao longo da vida, não será preciso trocar a unidade interna. Com isso, o procedimento é realizado uma única vez, sem a necessidade de ser refeito ao longo da vida.

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