
Grandiosidade marcou apresentação do touro negro.
Por Peta Cid
Especial para o Portal do Marcos Santos
Encerrando o Festival Folclórico Parintins, o boi Caprichoso ecoou um último brado, “Revolução, a consagração pelo saber popular”, fazendo espetáculo apoteótico na arena do Bumbódromo.
Uma chuva fina no início da apresentação não impediu que o bumbá entrasse na arena com garra para cantar a tradição do boi preto de Parintins, nascido de uma promessa, que renasce a todo instante provando que o brincar é o verdadeiro espírito de revolução.
Um grande cenário da cultura popular se formou na arena para começar a festa. O apresentador Edmundo Oran e o levantador de toadas Patrick Araujo chegaram na arena trazidos por um beija-flor e balé de pássaros, enquanto o boi surgiu em uma grande estrela.
Com a toada “Chamada do meu boi”, a galera azul e branca balançou o Bumbódromo diante de um cenário colorido da cultura popular.

Boi surgiu de uma estrela dourada.
A lenda amazônica Touro Encantado e a Estrela de Ouro contou a história do Rei Sebastião, que desapareceu nas águas das praias dos lençóis, na parte amazônica do Maranhão. A imagem de D. Sebastião se transforma em um imenso Touro Negro, trazendo em sua testa uma estrela dourada.
O boi Caprichoso surgiu no alto da estrela. A porta-estudante Marcela Marialva e a sinhazinha Valentina Cid evoluíram nesta alegoria.
Em seguida, foi a vez da Vaqueirada brincar de boi conduzida pelo Caprichoso.
A figura típica, o Contador de História, foi um momento especial do boi azul e branco levando para arena vários seres do imaginário amazônico e a rainha do Folclore, Cleise Simas.
Um momento de êxtase do bumbá foi o momento coreográfico Pavu Maraúna, dos povos indígenas Gorá, os Cinta-Larga, das Terras Indígenas Serra Morena, Aripuanã, Novo Aripuanã e Roosevelt, situadas à leste de Rondônia e Noroeste do Mato Grosso.
Vivem sob a maior mina de diamantes do mundo, e muitas de suas lideranças já morreram ou estão sendo ameaçados, assim como outros integrantes das aldeias. A cunhã-poranga, Marciele Albuquerque, chegou nesse momento para sua evolução.

Alegorias foram destaque.
Para fechar a noite o ritual Maï Marakã, a música dos deuses. Entoado pelos pajés, o canto ritual representa para o povo Araweté a visão dos deuses.
Alegoria apoteótica trouxe no alto içado em um módulo esvoaçante o grande pajé Erick Beltrão, que surpreendeu com uma fantasia que se transformava em gavião.
A grandiosidade e a perfeição marcaram a apresentação do boi azul, digna do Festival de Parintins.
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