
Trabalhadores aguardam resultado de audiência
Por Peta Cid
Especial para o Portal do Marcos Santos
Trabalhadores e artistas que reivindicam o pagamento de dívidas trabalhistas dos bumbás de Parintins se concentraram em frente à Vara do Trabalho nesta manhã de terça-feira (20), para aguardar o resultado da audiência que acontece em Manaus para decidir a quitação dos precatórios.
Levando faixas com dizeres como “Boi de pano não come” e “10 Anos sem receber da Justiça do Trabalho”, eles fizeram vários desabafos, denunciaram o descaso das diretorias dos bois Garantido e Caprichoso que não negociam as dívidas e criticaram as decisões do Tribunal do Trabalho, dizendo que as causas são ganhas na Vara de Parintins, mas derrubadas por desembargadores em Manaus.
Foi o que disse o trabalhador Edilson Batalha, que por quase 20 anos atuou como vigia no Garantido e foi demitido na atual gestão. “Saí na gestão do Antônio Andrade sem receber um centavo. Passei sono, fome e a família em casa esperando por alguma coisa. A Justiça está fazendo injustiça, porque aqui a gente ganha e lá em Manaus o Tribunal derruba”, desabafou.
Professor da Escolinha de Artes do Caprichoso por 12 anos, Fernando Santos foi demitido em 2018 e desde então luta por seus direitos.

Reivindicação é pelo pagamento de dívidas trabalhistas
“O presidente da época mandou correr atrás dos direitos. Já tentei falar com o atual presidente e não consegui. Para dizer a verdade ninguém fala por nós. Os pequenos são sempre pequenos, nós ganhamos a causa, mas lá em Manaus tem desembargador que diz que não”, contesta.
Outro que foi pra frente da Junta Trabalhista foi Carlos Alberto Pinheiro, o Japa do Garantido. Ele trabalhou por nove anos, desde 2010, e sofreu um AVC no dia 14 de junho de 2019 quando ajudava no transporte de módulos do boi para a concentração.
“Quando precisei, o boi disse que não podia fazer nada. Eu vim buscar meus direitos. Acho muita ingratidão, a gente ganha a causa, eles conseguem bloquear e a gente não recebe nada”, disse.
Japa ficou três meses no Hospital João Lúcio, em Manaus, sendo 30 dias em coma. Hoje, um lado do seu corpo é paralisado, além de sofrer de ansiedade e depressão. Ele disse que remédios são caros e a esperança é receber o dinheiro na Justiça do Trabalho.
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