15/JUL 2026
Jornalista responsável: Marcos Santos

Moradora que agrediu entregadores nega racismo e alega que foi vítima de homofobia

Publicado em 19 de abril, 2023

Moradora que agrediu entregadores nega racismo e alega que foi vítima de homofobia

A ex-atleta de vôlei de praia Sandra Mathias Correia de Sá, de 53 anos, alegou à polícia que foi vítima de homofobia e que se sentiu ameaçada pelos entregadores de aplicativo agredidos por ela.

No termo de declaração, Sandra Mathias alega que teve um desentendimento com o entregador Max Ângelo dos Santos no dia 4 março, cinco dias antes das agressões. Segundo ela, Max havia passado de bicicleta muito perto dela e do cachorro. “Poxa, cara. Tem necessidade de você passar do meu lado assim? Eu vou te denunciar”, disse Sandra.

Ainda segundo o depoimento, a ex-atleta teria ido até a loja física para denunciar o entregador, momento em que ela afirma ter sido ofendida com expressões homofóbicas e que teria utilizado palavrões para ofender Max.

Durante a declaração à polícia, Sandra foi questionada se utilizou expressões ou gestos racistas, mas negou que isso tenha ocorrido.

Sobre o dia das agressões, no domingo de Páscoa, Sandra afirmou aos investigadores que decidiu bater na entregadora Viviane Maria de Souza após ter sido ofendida e negou que tenha mordido a profissional.

Em relação às agressões sofridas por Max Ângelo, a ex-atleta disse que usou a guia do cachorro para se defender, após ter sido segurada pelo entregador.

“Após ser agredida por Viviane, com a ajuda de Max, a declarante resolveu pegar a guia de sua cachorra para se “defender” da “covardia” de Max (já que ele segurou a declarante)” diz um trecho da declaração.

Depoimento

Depois de prestar depoimento, na última segunda-feira (17), na 15ª DP, Sandra Mathias deixou a delegacia sem conversar com a imprensa. Disse apenas que não havia nada a declarar.

Nos próximos dias, a delegada Bianca Lima pretende ouvir a entregadora Viviane Maria de Souza para concluir o inquérito.

Inicialmente, a ex-atleta é investigada por lesão corporal e injúria simples, mas a Polícia Civil do Rio avalia se houve injúria racial, crime que no início deste ano foi equiparado ao racismo.

A advogada Prisciany Sousa, que representa Viviane Maria de Souza Teixeira, afirmou que ainda não há previsão do depoimento dela. Segundo a defensora, Viviane está bastante abalada e sem conseguir trabalhar.

Em relação à acusação de homofobia, a defesa afirma que o preconceito partiu da investigada, não de Viviane.

“Ela (Sandra), de forma cristalina, ataca a Viviane com uma atitude totalmente homofóbica. Estamos levantando todas as questões, provas e trabalhando em vários aspectos. No momento, a intenção é de resguardar a saúde psicológica da Viviane”, disse Prisciany.

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