
O objetivo do trabalho é entender o comportamento das onças nas florestas de várzea da região, que podem ficar até quatro meses do ano debaixo da água.
Foto: ICMBio/Divulgação
Pesquisadores do Instituto Mamirauá, começaram no início de março a campanha de captura de onças-pintadas na Reserva de Desenvolvimento Sustentável (RDS) Mamirauá, no município de Tefé – a 522 quilômetros de Manaus. O trabalho do Grupo de Pesquisa Ecologia e Conservação de Felinos da Amazônia do Instituto Mamirauá deve se prolongar até o fim do mês.
Barcos, antenas e armadilhas são alguns dos vários itens utilizados pelos pesquisadores para a captura e instalação de colares de rastreamento para monitorar os felinos. O objetivo do trabalho é entender o comportamento das onças nas florestas de várzea da região, cujos ambientes podem ficar até quatro meses do ano debaixo da água.
“Com os dados do monitoramento foi possível descobrir que as onças vivem de maneira arbórea e semiaquática durante esse período, sendo capazes de viver, se alimentar e até se reproduzir e cuidar de filhotes nas copas das árvores e nadando entre elas. Além disso, também é possível estimar o tamanho da área de vida das onças para a floresta de várzea, uma informação importante para medidas de conservação”, explica Marcos Roberto, pesquisador do Instituto Mamirauá.
A equipe de captura é composta por três pesquisadores, a doutora em Medicina Veterinária Louise Maranhão e os biólogos Marcos Roberto e Miguel Monteiro, além dos colaboradores locais Lázaro Pinto, Valciney Martins e Helson Martins.
Para instalar os colares nos pescoços dos animais, os pesquisadores utilizam armadilhas de laço, projetadas para prender a pata dos felinos, sem machucá-los. O equipamento é posicionado em trilhas monitoradas pelos pesquisadores. A época de enchente é a escolhida por reduzir a área por onde as onças-pintadas caminham.
Em cada armadilhas são instaladas duas armadilhas fotográficas para registrar o momento em que o animal cai no laço e observar seu comportamento. Um transmissor de rádio também é conectado à armadilha para que os pesquisadores possam identificar se o laço foi ativado.
Com a onça no laço, um dardo com anestésico é disparado no animal por meio de um rifle próprio para esse uso. Após a aplicação do anestésico é realizado o processo de coleta de material biológico, exame clínico, pesagem, biometria, e instalação do colar. O trabalho leva aproximadamente uma hora para ser concluído.
“Após a captura, nós acompanhamos o movimento das onças-pintadas quase diariamente. Buscamos entender o contexto ambiental em que ela anda, quais áreas preferem. Após alguns meses é possível estimar a sua área de vida e comparar com as de outras onças capturadas antes. Quando a reserva está completamente alagada, é possível então realizar um monitoramento presencial”, explica Marcos.
Há mais de 10 anos, os pesquisadores do Instituto Mamirauá vêm capturando onças-pintadas e instalando colares com rastreadores, que, depois de um ano, automaticamente se soltam dos animais. Entre 2012 e 2022, foram capturas 15 onças-pintadas.
“Até o momento presente, as onças-pintadas capturadas e monitoradas entre 2012 e 2018 evidenciaram um bom estado de saúde, mas, também detectamos que patógenos considerados preocupantes para a conservação de carnívoros no mundo estão circulando nesta região, como o vírus da cinomose e o vírus da leucemia felina”, informa a médica veterinária do grupo, Louise Maranhão.