01/JUL 2026
Jornalista responsável: Marcos Santos

Fiocruz alerta para aumento de casos graves de Covid no Brasil; AM tem crescimento

Publicado em 05 de março, 2023

Fiocruz alerta para aumento de casos graves de Covid no Brasil; AM tem crescimento

A nova edição do Boletim InfoGripe da Fiocruz, divulgada nesta sexta-feira, alerta para um aumento nos casos de síndrome respiratória aguda grave (SRAG) causados pela Covid-19.

Segundo a análise, o crescimento recente é mais evidente no Estado de São Paulo, embora outros estados, como Rio de Janeiro e Ceará, também tenham começado a registrar um aumento entre a população idosa. Os dados são referentes às informações disponíveis no Sistema de Informação de Vigilância Epidemiológica da Gripe (Sivep-Gripe) até o dia 27 de fevereiro.

Na última edição do boletim, há duas semanas, o cenário apontado pela fundação era mais favorável e estável em relação ao impacto da doença nas hospitalizações. No entanto, já destacava um crescimento no Estado do Amazonas, que embora não influenciasse a situação nacional, acendia um alerta.

O aumento, observado antes mesmo do Carnaval, ao mesmo tempo em que a subvariante XBB.1.5 da Ômicron tornava-se predominante no país, ainda não era suficiente para concluir se precedia uma nova onda, disseram os pesquisadores na época. Agora, a nova edição do acompanhamento das SRAGs no Brasil aponta que a tendência de alta observada no Amazonas continua no estado e se espalhou pelo país, especialmente entre os mais velhos.

“O sinal que se inicia na população idosa é um reflexo de que o vírus pode estar ganhando força novamente, aumentando assim a sua transmissão”, informa o coordenador do InfoGripe, Marcelo Gomes.

Diante do cenário, ele ressalta a importância de se estar com a vacinação em dia, especialmente para os grupos prioritários que podem receber a dose bivalente desde o último dia 27. Para Gomes, esse novo reforço pode evitar que o quadro observado gere um impacto mais significativo em termos de casos graves, internações e óbitos. Por outro lado, pondera que esse aumento pode sim atingir também as demais faixas etárias nas próximas semanas.

Bivalente

Nesta primeira etapa, estão elegíveis para receber a bivalente os idosos a partir de 70 anos; pessoas vivendo em instituições de longa permanência (ILP) a partir de 12 anos (abrigados e os trabalhadores dessas instituições); imunossuprimidos a partir de 12 anos e comunidades indígenas, ribeirinhas e quilombolas.

A dose bivalente pode tanto substituir a terceira ou a quarta dose daqueles que estão atrasados, como ser uma quinta para quem está com o esquema anterior em dia. O intervalo para a aplicação é de quatro meses após a última. São necessárias ao menos duas doses da vacina original para receber a bivalente. O novo imunizante não será ofertado, ao menos por ora, para a população geral.

Veja a estimativa de calendário da bivalente do ministério:

Fase 1 (27/02): Pessoas acima de 70 anos; pacientes imunocomprometidos a partir de 12 anos; pessoas vivendo em instituições de longa permanência (ILP) e comunidades indígenas, ribeirinhas e quilombolas;

Fase 2 (06/03): Pessoas de 60 a 69 anos;

Fase 3 (20/03): Gestantes e puérperas;

Fase 4 e 5 (17/04): Trabalhadores da saúde, pessoas com deficiência permanente a partir de 12 anos, pessoas privadas de liberdade e adolescentes cumprindo medidas socioeducativas.

Além dos casos de SRAG relacionados à Covid-19 entre os mais velhos, o boletim da Fiocruz aponta uma “manutenção de crescimento expressivo entre crianças e adolescentes em estados de diferentes regiões do país”. Porém, afirma que “os dados laboratoriais ainda não permitem afirmar com clareza qual é o agente infeccioso por trás do aumento na faixa etária”.

No geral, nas últimas quatro semanas, a prevalência dos casos de SRAG associados à Covid-19 foi de 52,1%. Enquanto isso, 26,6% foram causados pelo VSR. Outros 2,4% dos casos foram associados ao Influenza A, e 2,7% ao Influenza B – ambos causam a gripe. Entre os óbitos, os percentuais foram de 92,1% para o novo coronavírus; 2,4% para o VSR e 3,2% para o Influenza A e 1,6% para o Influenza B.

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